
Coberturas RUC
Todas as coberturas de festivais realizadas pelas equipas da RUC.
UM PROGRAMA DE:
Programação RUC
The Darts dizem a brincar que não gostam de fotografias em soundchecks mas compensam ao dar entrevistas com a mesma energia com que sobem ao palco: muita! Nicole Laurenne e Lindsay Scarey concederam uma entrevista à RUC cheia de gargalhadas e com uma calma olímpica a 20 minutos do concerto começar. Falaram sobre o seu espetáculo no Rocketmen, penúltimo da sua maratona europeia, o novo álbum Nightmare Queens, a criação de novos temas na estrada durante a digressão que são ensaiados pela primeira vez em pleno concerto e sobre férias que não existem.
TRANSCRIÇÃO DA ENTREVISTA EM PORTUGUÊS:
RUC: As The Darts vão atuar esta sexta-feira, 1 de agosto, no Rocketman, aqui em Coimbra. O concerto começa às 18h, no Jardim da Sereia, com entrada gratuita. Eu sou o Luís Pereira. Bem-vindas à Rádio Universidade de Coimbra! Estou com a Nicole e a Lindsay.
Nicole e Lindsay: Obrigada por nos receberem!
RUC: Durante o soundcheck estavam com alguns problemas técnicos. O que aconteceu?
Nicole: Temos andado a tocar desde fevereiro, praticamente sem pausas. Muitas, muitas datas de digressão e as coisas avariam. Os pedais avariam. Há quem entorne cerveja em cima de nós. Ontem, por exemplo, estava muito quente, tocamos em La Corunha e era só suor. Todas as noites há mil coisas que podem correr mal.
Lindsay: Tocamos com muita intensidade. Os nossos instrumentos aguentam muito. Por isso, às vezes há problemas técnicos. É normal.
RUC: Durante o soundcheck, tentei tirar umas fotografias e tu gritaste: “Não infringir a lei!” Que lei é essa?
Lindsay: A lei é que não se grava o soundcheck!
Nicole: Porque isso é horrível. Normalmente não é o nosso melhor momento.
RUC: Prometo que não vou usar essas fotos. Juro que as apago.
Nicole: Fantástico.
RUC: O que prepararam para o concerto de hoje? Tiveram muitos concertos seguidos, certo? Estão quase no fim da digressão europeia, não é?
Nicole: Sim, falta só mais um concerto depois deste. Nós criámos uma setlist para a digressão, mas à medida que fomos avançando nestes 60 e tal dias de tour, fomos adicionando músicas novas. Vamos entrar em estúdio em Los Angeles, em agosto, dentro de umas semanas, para gravar o próximo álbum. Então estamos a testar músicas novas, ainda frescas, para as irmos aprendendo em palco durante a digressão. Hoje vão ouvir quatro, cinco músicas completamente novas, que ainda não foram lançadas.
RUC: Lindsay, isso faz-me voltar à pergunta anterior. Vi que têm uma pausa de 20 dias depois da digressão europeia. Achei que iam descansar, mas afinal não.
Lindsay: Não, não vamos descansar. De todo! Especialmente a Nicole. A Rikky, a Becca e eu vamos voltar para os EUA e vamos ensaiar as novas músicas para o novo álbum. E a Nicole vai continuar em digressão com o projeto a solo dela, o Black Violet. Por isso, ela vai mesmo continuar na estrada e não vai descansar mesmo nada.
RUC: Como é que isso é possível? Pelo que vi, vocês vão dar 63 concertos em quatro meses. Como é que conseguem? Eu nem consigo ter tempo para lavar a roupa.
Nicole: Fazemos isso todos os dias. Todos os dias.
Lindsay: Nós também temos dificuldade em lavar a roupa!
RUC: Ok, ok, mas como é que conseguem mesmo? Ontem deram concerto, certo?
Nicole: Sim, damos concertos todos os dias. Temos uma rotina: andamos de carrinha seis, sete, oito horas por dia. Depois fazemos o soundcheck. Depois damos o concerto. No dia seguinte, voltamos à carrinha mais oito horas. Depois soundcheck. Depois concerto. E isto todos os dias. E eu adoro esta vida. Quando esta digressão acabar, começo outra com o meu projeto a solo. E depois volto a esta digressão outra vez. Eu não quero outro tipo de vida. Para mim, é a vida perfeita.
RUC: Então não têm tempo para fazer turismo?
Nicole: Não.
Nicole: Tivemos 15 minutos esta manhã para ver a praia, antes de entrarmos na carrinha. Onde foi mesmo?
Lindsay: La Corunha.
Nicole: Uma cidade linda. Sim, adorámos o que conseguimos ver, que foi pouco. Ah, e houve um dia, há cerca de um mês, em que tivemos um dia livre. Em Carlisle, em Inglaterra, fomos visitar um castelo que ficava a dois quarteirões da sala de concertos. Tivemos duas horas. E aproveitámos.
Lindsay: Normalmente vemos muitas casas de banho, postos de gasolina e bares.
Nicole: E caras suadas mesmo à nossa frente e é assim que gostamos.
RUC: Porque estás a usar essa t-shirt Lindsay?
Lindsay: Estou a usar a minha t-shirt dos Bad Nerves. Estou muto triste porque não vou poder ficar para o concerto deles amanhã aqui no Rocketmen. Porque amanhã já estamos a caminho de Madrid, por isso não vamos poder ficar por aqui.
Nicole: A Lindsay só trouxe três t-shirts para esta digressão inteira e uma delas é dos Bad Nerves. E só calhou que eles tocam aqui! Incrível.
RUC: Agora percebo porque não queriam que eu tirasse fotos no soundcheck. Compreensível! Vão gravar um novo álbum, certo? Mas também tens espetáculos com o teu outro projeto. Então quando é que o álbum vai ser gravado? Não percebo.
Nicole: Então, agosto tem 30 dias. Na primeira metade do mês, vou continuar em digressão na Europa com o meu projeto a solo, Black Violet. Depois vou para casa durante três ou quatro dias, não sei bem, é muito pouco tempo. E depois vamos de carro até Oakland para outro concerto. Damos mais quatro concertos. E depois gravamos o disco em três dias. E depois voltamos à estrada outra vez.
Lindsay: É por isso que temos de conhecer bem as músicas antes de ir para estúdio
Nicole: É por isso que estamos a aprendê-las na carrinha!
RUC: Eu não sei como é que isso é possível. Sinceramente, não sei.
Nicole: Sabes como? Elas são incríveis. São das melhores músicas que já conheci na vida. Eu posso escrever uma música, enviar-lhes as faixas e no dia seguinte já está pronta para tocar. É impressionante a forma como dominam tudo tão bem.
RUC: Acredito em ti. Vocês lançaram um novo álbum recentemente, Nightmare Queens, em maio, certo? O que nos podem dizer sobre esse disco? O que o torna diferente dos anteriores?
Nicole: É muito diferente, porque só tem duas músicas novas. Essas duas músicas foram feitas com um produtor completamente diferente, uma das primeiras vezes que fizemos isso. Gravámos durante a digressão no verão passado, em França. Sim, tirámos um dia de folga e fomos gravar essas duas músicas novas. O resto do álbum tem músicas antigas, dos primeiros discos que já estão esgotados. Escolhi as minhas preferidas, pus na ordem certa, a meu gosto, e criei o álbum perfeito, com duas faixas novas incluídas. E o disco esgotou em quatro semanas!
RUC: Incrível. Parabéns! Tenho aqui uma citação, creio que é tua Nicole: “Não há nada como ouvir uma ideia para uma música na tua cabeça.” Mas desde essa ideia até à versão final, o caminho costuma ser longo e cheio de mudanças. Não?
Nicole: Na verdade… não. O que é único nas minhas duas bandas é que eu crio a música na minha cabeça e isso, para mim, é a parte divertida. Depois faço uma demo. Trabalho muito nessa demo sozinha, escrevo todas as partes: a parte do trombone, a do baixo. Escrevo tudo como eu gosto, até ficar perfeito. É aí que está toda a produção na demo, só comigo e os meus headphones. Depois envio as faixas para cada uma das músicas para os músicos, porque todas vivem em sítios diferentes do mundo. Eles aprendem as músicas e vejo-os na digressão. E tocam tudo na perfeição. Às vezes, muitas vezes, a primeira vez que ouço a música ao vivo é… no soundcheck, antes do concerto! É o planeamento e a produção anteriores são a magia deste processo. Sem isso, não funciona.
RUC: Acho que devias escrever livros de autoajuda para pessoas que…
Nicole: Acredita, não queres que eu ajude a tua vida. Não queres a minha vida!
RUC: Quando a Nicole te envia as novas músicas, faz um bom trabalho?
Lindsay: Eu fico sempre entusiasmada com cada música nova que ela me manda. Estou mesmo ansiosa por este novo álbum. E o mais divertido, para mim, é que sabes, às vezes, como baixista, esperam que só toques a nota fundamental e fiques em segundo plano. Mas com as Darts, a parte de todas as músicas de baixo são mesmo divertidas.
Nicole: É tudo sobre o baixo! Sempre. Para mim, o baixo é o instrumento mais importante em tudo o que escrevo. Começo sempre pelo baixo. Por isso, o baixista tem de ser o melhor músico da banda. Sempre.
Lindsay: Sem pressão, certo?
Nicole: Mas ela arrasa sempre. Sempre.
RUC: Também vos queria perguntar se acham que a música deve sempre ter uma mensagem forte ou se também pode ser feita só por diversão.
Nicole: Acho que a música deve ser divertida. Acredito mesmo nisso. A minha filha disse-me uma vez, quando eu tinha medo de palco no início da carreira: “Mãe, diverte-te. É só música. Não te preocupes.” E esse conselho ficou comigo até hoje, é suposto ser divertido. Sim, às vezes há mensagens, e temos músicas com mensagens, mas isso é algo mais recente para mim. Normalmente, é só o que me vai no coração. Às vezes é triste, às vezes feliz, às vezes zangado. Mas é aquilo em que estou a pensar no momento, o que estou a sentir.
RUC: Ótimo conselho da tua filha! Lindsay, as músicas que a Nicole escreve são divertidas?
Lindsay: São músicas divertidas, sim!
Nicole: Estou sentada aqui ao lado!
Lindsay: Eu sei! Eu não sou obrigada a dizer nada! O que ela vai fazer? Só temos mais um concerto. Já não dá tempo para ela arranjar outra baixista!
RUC: Nicole, Lindsay faltam 20 minutos para o concerto começar. Acho que, para vocês, isso é imenso tempo, não é?
Nicole: Sim, tranquilo.
RUC: Sem pressão.
Lindsay: Tranquilo! Já tenho a maquilhagem feita, o cabelo arranjado está tudo pronto.
RUC: Muito obrigado. Foi um prazer falar convosco.
Nicole: Obrigada! Vai ser um grande concerto.
Lindsay: Obrigada por nos receberem!
OUVIR TAMBÉM:

