AUTOR: Luís Pereira

DATA: 05.08.2025

DURAÇÃO: ...

Quase 50 anos depois de começarem a carreira, os The Boys estrearam-se finalmente em Portugal com um concerto no Jardim da Sereia, no festival Rocketmen. Antes do espetáculo, Matt e Cas conversaram sobre concertos em lugares improváveis como o Jardim da Sereia e Svalbard, terra de ursos polares, a longa carreira da banda, a importância das boas canções, memórias de infância e o impacto das bandas britânicas na história da música.

TRANSCRIÇÃO DA ENTREVISTA EM PORTUGUÊS:

RUC: The Boys vão atuar este sábado, 2 de agosto, no Rocketman, aqui em Coimbra. O concerto é às 21h30 no Jardim da Sereia, com entrada gratuita. Eu sou o Luís Pereira. The Boys bem-vindos e obrigado por estarem com a Rádio Universidade de Coimbra. Eu estou com o Matt e o Cas.

Matt: Olá eu sou o Matt.

Cass: Olá eu sou o Cas.

Matt: Estou entusiasmado por vos ver logo à noite.

RUC: Obrigado por estarem connosco esta noite. Vocês já estiveram em Portugal enquanto banda?

Matt: Não.

RUC: Eu pesquisei bastante e realmente não encontrei informação sobre Portugal e a vossa banda e estranhei.

Matt: Bem, tocámos perto da fronteira com Espanha. Era mesmo no topo da Galiza. Em Santiago.

RUC: Ok. Eu perdi meia hora à procura de concertos vossos em Portugal. Porque pensei que não seria possível ainda não terem atuado cá. O concerto da noite passada dos 999 teve uma grande reação. Vocês já estavam cá?

Matt: Sim, claro. Foi a primeira vez que vi os 999 ao vivo, apesar de já os conhecermos há anos. Porque nos primeiros tempos, estávamos sempre ocupados com concertos, não havia muito tempo para ver outras bandas, a menos que estivéssemos a tocar juntos. Por isso, esta foi a primeira vez que os vi. Mas já conhecia pessoalmente os membros da banda.

RUC: O que é que faz de um concerto algo especial para vocês?

Cas: Um bom concerto é uma festa. Toda a gente está feliz e a divertir-se tanto a banda como o público.

RUC: E para ti Matt? Qual é o elemento chave?

Matt: Quando nos encontramos num ambiente desses, o que importa mesmo é ter boas músicas. Mesmo que eu não seja fã de uma banda, se tiver boas músicas, fico absorvido pela música.

RUC: O que é uma boa música, para ti?

Matt: Algo ligeiramente original. Uma música que soa a algo que nunca ouvi antes.

RUC: Estão agora num jardim. Já tocam há muito tempo. Devem ter atuado em sítios bem invulgares. Podem dar exemplos?

Cas: Sim. Para mim foi Svalbard. Foi o sítio mais estranho para mim.

RUC: Acredito que é em Svalbard que tens de andar sempre com alguém para te proteger dos ursos polares, não é?

Cas: Sim é verdade. Tens de ter uma espingarda.

RUC: A banda andava sempre acompanhada por um pequeno exército?

Cas: Não (risos). Foi o ano passado e achei fantástico. Foi um dos sítios mais estranhos em que atuei.

Matt: Sim, foi fora do comum. (continua agora a falar sobre o Jardim da Sereia) É um lugar invulgar, nunca tocámos num sítio assim. Honestamente, estava à espera de um campo aberto, meio afastado da cidade. Não pensei que fosse no centro da cidade, num jardim tão bonito. Adoro.

RUC: Os The Boys começaram em 1976. Em 2012, voltaram a estúdio, mas li que tu, Matt, no início não o querias fazer. Porquê?

Matt: Porque a menos que o novo trabalho estivesse ao nível dos álbuns que já tínhamos feito, não me interessava muito voltar a gravar mas assim que começámos a escrever juntos outra vez, percebi que estava a soar mesmo bem. A partir daí, soube que ia ser um bom trabalho.

RUC: Cas, como é que o convenceram?

Cas: Porque escrevemos boas músicas juntos. Não estávamos prontos para isso mas depois achámos: ah! isto (música nova) está mesmo bom!

RUC: Li que tu Matt quando eras novo estavas sempre rodeados de instrumentos antigos e gira-discos?

Matt: Sim, a minha mãe adorava música. E o meu pai também. Lembro-me da minha mãe a acordar-nos ao sábado de manhã com cheiro a bacon frito. Ela abria a porta do quarto e vinha aquele cheiro incrível da cozinha. Nós ainda estávamos na cama, preguiçosos, e ela arrastava-nos para fora com aquele cheiro delicioso. E depois ouvíamos música muito alta pela casa, no rádio. Eles eram antiquários então havia sempre instrumentos antigos na casa e gira-discos. Ela tinha uma coleção grande de Jazz, por isso uma das minhas primeiras músicas favoritas foi uma música de Jazz. Não quer dizer que eu seja fã de jazz  mas aquelas melodias ficaram comigo.

RUC: A vossa banda tem quase 50 anos. Já têm 49, certo? Têm muita experiência. Já viram passar muitas bandas, muitas coisas. Sempre tive esta curiosidade: porque é que há tantas bandas do Reino Unido que atingem sucesso, quando comparadas com o que acontece nos Estados Unidos da América? O Reino Unido é pequeno, tem menos população e mesmo assim há tantas bandas conhecidas. Porquê?

Matt: As coisas acontecem mais depressa no Reino Unido do que nos EUA. Os EUA são como um continente enorme, as pessoas vivem a milhares de quilómetros umas das outras. Em Inglaterra, tudo é mais próximo. Isso acelera as coisas. Foi assim nos anos 60, com os Beatles, os Stones, tudo aconteceu muito rápido. O mesmo com o punk. Nos EUA, estava a crescer lentamente, ali por Nova Iorque, mas talvez nunca tivesse explodido de forma universal se não tivesse sido adotado pelas bandas britânicas.

RUC: Cas, o que achas?

Cas: Acho que tudo começou nos anos 60. Porque tínhamos os Beatles, os Stones, os Who, os Small Faces e todas essas bandas britânicas. E seguimos esses grupos. Na altura, os americanos tinham mais cantores a solo, tipo Elvis, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Roy Orbison. Mas não tinham tantas bandas. Na Europa, ficámos viciados no conceito de banda. Toda a gente queria ter uma.

RUC: Acabei de reparar no teu relógio de pulso. Dos Beatles. És fã?

Cas: Sim, claro!

RUC: Porque tens esse relógio?

Cas: Comprei-o em 1976 em Londres e ainda o uso.

RUC: Matt, Cas muito obrigado por terem estado com a Rádio Universidade de Coimbra.