
Coberturas RUC
Todas as coberturas de festivais realizadas pelas equipas da RUC.
UM PROGRAMA DE:
Programação RUC
Boa noite BBB Hairdryer, obrigado por darem algum do vosso tempo à antena da RUC neste Out.Fest 2025. Inicialmente, eu gostava que se apresentassem um a um e dissessem qual é o vosso papel na banda.
Elisabete: Olá, boa noite, Elisabete, toco guitarra e canto.
Francisco: Eu sou o Francisco, toco baixo e às vezes sou dealer. [risos]
Miguel: Olá, eu sou Miguel, eu sou baterista e agente.
Xica: Olá, eu sou Xica e sou guitarrista.
Miguel: Elisabete também escreve as canções.
E podemos começar por aqui também. BBB Hairdryer começou, e corrija-me se tiverem erro, só contigo, certo?
Sim, em volta de 2017, 2018, eu e o Papico (Francisco) tínhamos um amigo que na altura estava a trabalhar no Caldas Late Night e tinha uma slot, assim, um bocado à toa, e tipo, pá, não tens aí umas coisas, umas músicas quaisquer, metem aí umas coisas. E eu ia tocar com o Papico em separado, cada um com o seu projeto, e depois o Papico acagaçou-se [risos] e eu fiquei tipo, não me acagacei, mas estava a tocar power chords, estava a tremer tanto, não conseguia. Foi um concerto engraçado.
Mas a partir daí, pronto, estive aí 3, 4 anos a tocar sozinha e depois fui tocando com várias pessoas e agora são estes.
E como é que estes se juntaram ao projeto? Contem.
Francisco: Nós fomos músicos substitutos dos artistas que estavam no momento, basicamente.
Miguel: Eu conheci estas pessoas no lançamento do Kingdom Hearts Final Mix 2, with a few fucks and edgelord lyrics. Falha sempre uma palavra, não é? Qualquer coisa que falha. Eu estava a fazer som nas damas, foi a minha primeira data nas damas, e calhou-me logo esta banda e eu fiquei, oh meu deus, que banda tão fixe, e depois passados uns dias… Ah, e o Papico estava a fazer transmissões via projetor, estava a fazer as projeções.
Francisco: Eu cliquei no play no projetor.
Miguel: E depois passado uma semana a Elisa disse: Fiquei sem banda! venham tocar comigo! E nós fomos.
Francisco: O baixista da altura partiu o pulso e depois emigrou. Foi assim que eu apareci.
Miguel: E o baterista faz jogos.
Xica: E eu dei um concerto meu no meu projeto nas Damas e a Lizzie [Elisabete] trabalhava lá, e aí nos conhecemos e depois tivemos a little summer fling e depois ficámos amigas. E depois passado, um bocado no verão, a seguir chamaram-me para fazer uns noises para uma música e depois entrei na banda nesse tempo.
E o que é que vocês tocaram hoje? Foi o vosso lançamento mais recente?
Elisabete: Hoje essencialmente foi… Sim, nós estamos a gostar muito do último álbum que lançámos, A Single Mother, A Single Woman, An Only Child. Saiu no final do ano passado e estamos a ver se as músicas estão a ganhar outro corpo, como é que elas estão a comportar-se ao vivo connosco.
E qual é que tem sido o feedback disso então?
Elisabete: Cool.
Francisco: Bué feedback! [barulhos de feedback]
Miguel: Temos tocado em festivais onde acho que queríamos ter tocado durante muito tempo e está a ser bué bem recebido. Ainda temos mais uns quantos pela frente, ainda vamos ao Mucho Flow, temos mais um festival que ainda não foi anunciado, ainda vamos ao Emergente no fim do ano, ainda vamos tocar na Noite Fetra
Quais é que são os vossos repertórios musicais enquanto ouvintes? O que é que vocês começaram a ouvir para esta fórmula acabar por funcionar?
Elisabete: Ui…Espera. Quais é que são?
Enquanto ouvinte
No geral para mim? Muito obviamente Nirvana, Hole, toda essa grungy shit, mas depois eu diria se calhar coisas mais nicho-artsy-pretensiosas tipo Lingua Ignota, daí acho que vamos buscar também o ambient, não sei, gostamos muito de Grouper, mas depois também gostamos de coisas mais pesadas, sei lá, estamos a ouvir muito Title Fight, estamos a ouvir coisas muito cornas assim, Phoebe Bridgers…coisas bonitinhas, acho que é daí que vem a mistura, a coisa bonitinha
Francisco: Eu também gosto de achar que pelo menos Swans me faz trazer um bocado para a parte mais exploratória assim, tentar criar uma sopa contínua entre canções às vezes e assim, inspira-me muito a forma como Swans compõem e a forma como… lá está, é aquele mix, aquele intermédio entre drone e noise e canção, é uma cena que me fascina bastante e são cenas que no futuro até gostava de poder explorar mais com esta banda.
Miguel: Eu acho que a coisa que mais me influencia é encontrar baterias para a música que é tanto gritada como cantada com uma voz muito bonita e acho que tanto Deftones como Smashing Pumpkins vão um bocado a esses dois lados e acho que funciona bué bem nesta banda esse tipo de Sonic Youth também.
Xica: Eu amei os teenage years, Sonic Youth, Smashing Pumpkins, Pixies, foi quando descobri essas coisas, 14, 15 [anos], e depois nunca mais ouvi, ouvi tipo Teenage Years, Elliot Smith e esses emos todos.
E depois descobri o pop, graças a Deus, com 19 obrigaram-me os gays e isso é muito bom. E entre os anos já tocava, mas sempre tive aquele emozinho assim dentro, e o voidzinho sempre, e estava a tocar guitarra para outra banda e o meu projeto é tipo acústico corno, e gosto bem do corno e esta banda, não sei, fez-me puxar assim esses teenage years até agora todos e mix it all e pôr aqui.
Vocês inicialmente tinham uma componente do que vou chamar danger music, em relação ao escadote, ao gelo, e por aí. Foram abandonando progressivamente essa parte? Ou é alguma componente que volta a entrar?
Elisabete: Não sei se volta a entrar ou não, acho só que quanto mais à vontade te sentes em relação ao que queres transmitir, à performance que queres passar, consegues não ir buscar tanto apetrecho.
Xica: Eu acho que é porque também a música e o som ganham outra dimensão e outro espaço, e outra agressividade que passa já, passa bem as coisas, que não é preciso tanto outras coisas, tipo o escadote, para transmitir essa mensagem, o som ganhou outras dimensões que transmitem a mensagem. Acho eu pessoalmente, ou seja, não era eu que fazia a performance, mas isto é o que eu penso que pode ter acontecido.
Miguel: Eu acho que há duas coisas que alteraram um bocado isso, especialmente em concertos ao vivo, primeiro cada vez estamos a tocar com mais bandas e com mais público, já de facto tivemos muitas crianças a ver e às vezes também ficámos um bocado ressentidos com possivelmente estarmos a mostrar coisas que podem ser um bocado traumáticas [risos]. Segundo, pessoas podem ser estúpidas, e segundo acho que este disco, coisa que a Elisa já disse várias vezes, foi o que tornou esta banda uma banda e não só o projeto da Elisa. É um espaço onde a Elisa é livre de fazer o concerto, mas o que estamos a dar acho que é o mais importante, fazer, tocar as músicas que gostamos de tocar juntos.
Fotografia: bbb hairdryer @ eyesofmadness / Pedro Roque
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