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Sem “Dia de Folga”: os trabalhadores fadados a manterem atividade nas tempestades e cheias
A tempestade Kristin abalou diversas regiões do país e deixou rasto em Coimbra. Agora, a depressão Nils aumenta risco de uma “cheia centenária”, que levou a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) a encerrar espaços públicos como a Universidade de Coimbra e as escolas. Se está aconselhado à população não sair de casa, há vários trabalhadores que continuam a manter a economia em funcionamento. E até alguma normalidade, num tempo anormal.
A Associação Académica de Coimbra (AAC) está encerrada até às 19 horas, motivado pelo risco de cheias. Ainda assim, Joaquim Maia, 21 anos e empregado de limpezas de bares e discotecas da empresa do pai, trata da área exterior e interior da AAC mesmo com alguma chuva a molhar. “Tentar adaptar às melhores condições que possa ter” revela Joaquim, que até vê a precipitação como auxiliar de limpeza. Com três filhos pequenos e sem escola, é a esposa do trabalhador que assume os cuidados.
Perto de Joaquim está Mário Júlio, cantoneiro de arruamentos (profissão mais conhecida como varredor) pela União de Freguesias de Coimbra e com 61 anos de idade. De cigarro na boca e vassoura na mão, varre a rampa de acesso aos jardins da AAC. Se, para Joaquim, a chuva ajuda, o varredor queixa-se de chegar todo molhado ao final do dia, mesmo com o oleado vestido.
Mesmo com as recomendações da CMC, ainda se vê algum movimento no Alma Shopping, em especial na restauração. “A malta não consegue ficar em casa e vai para a rua porque tem medo de ficar em casa e procura desopilar a mente” admite Luciano Silva, 38 anos, trabalhador no H3. Para o “grelha”, as tempestades afetaram-no em especial no transporte, que descreve como horrível a primeira semana de encerramento do MetroBus para a Lousã, uma situação que o mesmo admite estar regularizada.
Na Baixa de Coimbra, alguns estabelecimentos já fecharam as portas e barricaram as entradas das lojas com sacos, pedaços de madeira e paletes. Ainda assim, alguns negócios permanecem abertos, como é o caso do Café Montanha. Artur Costa, de 28 anos, é um dos empregados de mesa e expõe como as tempestades têm afetado o negócio, num período já de vendas mais baixas. Artur também é pai, que tem o filho em casa na hora de expediente.
Dos vários donos de estabelecimentos na Baixa, alguns decidiram manter normal funcionamento por não acreditarem que a “cheia centenária” vá acontecer. É o caso de Luís Ribeiro, de 46 anos, dono da Taberna Laura na Travessa dos Gatos, que considera haver muito alarmismo nas redes sociais e até nas notícias. O proprietário recorda episódios anteriores de cheias no concelho de Coimbra, como as de Montemor-o-Velho em 2019 ou em Ceira em 2023.
A maior parte dos trabalhadores dá os parabéns à atuação da Proteção Civil e da Câmara Municipal de Coimbra desde as primeiras tempestades, com vários a elogiar os trabalhos de prevenção e de atualização da informação. Ainda assim, Luís Ribeiro critica algum alarmismo e Luciano Silva revela que a CMC se devia ter precavido com mais antecedência.
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