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Risco de cheia centenária já não existe | Atualização ao minuto sobre condições atmosféricas

Após situação de instabilidade sentida durante o dia 13 de fevereiro, devido ao risco de cheia, várias pessoas foram evacuadas. O caudal da barragem da Aguieira e as consequências da depressão Oriana já não são fatores de risco. Ana Abrunhosa afirma que é preciso reconstruir Coimbra mas garante que o pior já foi ultrapassado.

Após um comboio de tempestades e depressões a atingirem a cidade de Coimbra, com ventos fortes e chuva intensa durante vários dias, o rio Mondego galgou margens. A equipa da RUC está a acompanhar de perto os acontecimentos e vai atualizar a informação na notícia em destaque no site dos 107.9FM. 

Risco de cheia em fase de resolução

Na sexta-feira, 13 de fevereiro, às 19h45, em conferência de imprensa a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) destacou que o risco de inundação da baixa citadina já não existe e avançou várias medidas que vão ser tomadas para reconstruir a cidade.

As autoridades recordam que vão continuar a existir zonas alagadas e que, na noite de 13 de fevereiro, os habitantes dessas zonas não devem regressar a casa. Amanhã os idosos, abrigados no Pavilhão Multidesportos Mário Mexia têm indicação para regressar aos lares. Apesar das poucas perdas habitacionais, a autarquia não exclui a hipótese de alojar famílias afetadas em apartamentos da CMC.

Na conferência de imprensa o trânsito foi também alvo de destaque. A autarquia avançou que vai acompanhar de perto para gerir a situação.

O município de Montemor-o-velho deverá continuar inundado durante todo o mês de fevereiro, bem como outras zonas ribeirinhas.

Na quinta-feira as escolas EB 2,3 Silva Gaio, do Agrupamento de Escolas Coimbra Centro, a EB1 de Castelo Viegas, do Agrupamento de Escolas Coimbra Sul e as escolas de Antuzede, São Martinho de Arvore, Vila Verde e São João do Campo estiveram encerradas. Ana Abrunhosa avançou, às 20h00 de 13 de fevereiro que vão reabrir nos próximos dias, ao contrário do Mercado Municipal D.Pedro V, que vai continuar encerrado.

Ana Abrunhosa terminou a conferência de imprensa com uma nota de agradecimento às autoridades e aos jornalistas que prestaram apoio e divulgaram informação relevante. Faz um balanço positivo da gestão de crise e destaca que “não houve vítimas”. Destaca que cada caso vai ser acompanhado e resolvido.

Momentos de destaque da resposta ao risco de cheia

O Reitor da Universidade de Coimbra decretou o encerramento dos serviços da Universidade de Coimbra, durante o dia 13 de fevereiro, como medida de prevenção face ás condições adversas que a cidade enfrenta.

O município de Coimbra apontou um alerta máximo de risco de cheia centenária na bacia do Mondego. A barragem da Aguieira atingiu o limite e fará descargas durante o dia 13 de fevereiro. Entre as zonas mais vulneráveis encontram-se a Baixa de Coimbra, Santa Clara, Casa do Sal e Estação de Coimbra-B, Zonas ribeirinhas de afluentes do Mondego, as caves e parques subterrâneos da quinta da portela e portela do mondego e ribeiras urbanas.
A proteção civil avança que a situação dos caudais do Mondego se encontra mais estável desde a manhã de hoje, mas o risco de evacuação da baixa de Coimbra mantém-se até ao final do dia.

Além disso, entre o final da tarde de dia 12 e a manhã de 13 de fevereiro Portugal continental vai sentir os efeitos da depressão Oriana, com precipitação forte e vento com rajadas a atingir os 80 km por hora.

Na manhã de 12 de fevereiro cedeu um segundo dique do rio Mondego na Granja do Ulmeiro, em Soure. O canal principal está a canalizar água para o canal de rega da ETAR em Formoselha (Montemor o Velho). O autarca da Junta de Freguesia de Santo Varão, Marcelo Gustavo, em declarações à Lusa explicou que a força da água fez partir uns metros mais à frente o canal de rega e está a distribuir água para os campos agrícolas da margem direita, já sobrecarregada de água. Não há registos de ocorrências entre a população.

Luís Montenegro, primeiro-ministro, e Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal, estiveram na cidade durante a tarde de hoje e uma equipa RUC esteve presente no local.

Várias zonas na baixa citadina, junto à praça da canção, parque verde do Mondego e docas estão também já submersas. Entre os espaços afetados está a academia briosa e o mosteiro de Santa-Clara-a-Velha.

Na cidade registaram-se várias outras ocorrências. Junto à Faculdade de Psicologia e da Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), durante a tarde, deu-se também o colapso da Cerca de Santo Agostinho. A derrocada levou ao encerramento do mercado D.Pedro V, do parque de estacionamento adjacente e ao corte da Rua da Fonte Nova, acima do mercado, que ficou intransitável. O atendimento realiza-se agora, em exclusivo, na loja do cidadão.

O Comandante Nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, divulgou hoje em conferência de imprensa: “Vai haver uma inundação de campos agrícolas, que dá tempo para avaliações subsequentes. Faremos um acompanhamento constante. (…) Temos agora um ponto de descompressão, pelo que a probabilidade de termos outra rutura diminui”. O responsável confessou ainda que o facto de a tragédia se ter dado na margem direita do rio Mondego é menos grave do que se tal acontecesse na esquerda. No entanto, Mário Silvestre reconheceu que é “expectável” que haja mais evacuações amanhã. “Temos todos os recursos disponíveis e em campo”, garantiu.

Carlos Canatário, porta voz da GNR, alertou: “Quem conseguir sair mais a Norte ou mais a Sul, em vez de utilizar a autoestrada 1, que possa utilizar a autoestrada 8, a autoestrada 17 e a autoestrada 29. Seguem sempre em paralelo à autoestrada 1”.

As previsões da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirmaram-se. Após terem alertado para o risco de ruptura dos diques do rio Mondego, o fenómeno nos Casais provocou a ruína de um dos sentidos da autoestrada. A autoestrada já tinha sido cortada ao final da tarde desta quarta-feira, prevendo-se que os pilares do viaduto não iam aguentar a força das cheias, após a ruptura do dique tão próximo.

O dique da margem direita, na zona dos Casais, colapsou no final da tarde de 11 de fevereiro. Esta rutura já tinha sido antecipada pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC) que realocou cerca de três mil habitantes da cidade, com prioridade para a população mais idosa. Entre todos, cerca de 200 estão em centros de acolhimento da autarquia e os restantes em casa de amigos e familiares. Neste momento, o trânsito está a ser desviado para o IC2. A Guarda Nacional Republicana pede aos motoristas que usem outras alternativas.

Transportes

Os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) anunciaram a 11 de fevereiro a suspensão das  linhas 11, 13, 23C, 201 e 223. Avançaram também que as linhas 4, 5, 6, 7, 7T, 14, 14T, 21, 27, 28, 29, 32, 33, 34, 103 e 221 estão a circular com algumas limitações, entre as quais atrasos e alterações de percurso, em função da evolução da operação no terreno e dos condicionamentos de trânsito.

O serviço do Metro Mondego está suspenso entre Serpins e Sobral de Ceira. Transportes alternativos começaram a ser assegurados pelo serviço do Metro Mondego a partir de 9 de fevereiro.

A circulação ferroviária segue com alguns condicionamentos. Uma das ligações mais afetadas é a Ligação Coimbra, Aveiro e Porto. De acordo com informação avançada pela CP – Comboios de Portugal, a linha Oeste e as linhas Urbanas de Coimbra estão com a circulação suspensa. Os comboios de longo curso entre Lisboa e Porto também estão parados.

Recomendações da proteção civil:

  • Respeitar, sempre que recomendado, a ordem de evacuação das autoridades para locais
    seguros (zonas de concentração e apoio da população);
  • Retirar equipamentos agrícolas, industriais, viaturas e outros bens das zonas
    ribeirinhas e habitualmente inundáveis dos rios, colocando-os em locais seguros;
  •  Salvaguardar os animais, retirando-os de zonas suscetíveis a inundação;
  •  Não atravessar, a pé ou de viatura, estradas, linhas de água ou zonas inundadas;
  •  Não circular nem permanecer em pontes, vias de acesso ou locais inundados ou
    historicamente inundáveis;
  •  Evitar atividades junto a linhas de água, sobretudo em locais sujeitos a cheias rápidas;
  • Manter-se informado através dos Órgãos de Comunicação Social e das entidades de
    Proteção Civil, cumprindo rigorosamente todas as recomendações emitidas.

Contactos de emergência

  • Número Europeu de Emergência – 112
  • Serviço Municipal de Proteção Civil – 239 497 302
  • Bombeiros Sapadores de Coimbra – 239 792 800
  • Bombeiros Voluntários de Coimbra – 239 822 323

Mais informações

Mais informações sobre as condições atmosféricas podem ser consultadas na aba de noticiários da RUC.

Outros assuntos de interesse público podem ser remetidos à equipa de informação da RUC para o endereço: info@ruc.pt.

Atualização: 14:56  13/02

Fotografia: Câmara Municipal de Coimbra

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