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16.05.2026POR Isabel Simões

Água volta a correr no canal de rega e traz alívio ao coração agrícola do Mondego

Reposição do abastecimento de água no Baixo Mondego foi assinalada ontem com um momento decisivo para a agricultura da região. Ministra do Ambiente e Energia marca presença, pressiona o botão do controlo que abre a comporta de acesso ao canal de rega e toma conhecimento do Relatório Técnico sobre as cheias de 2026.

“É um dia de alegria”, afirmou José Pinto da Costa da Associação de Beneficiários do Baixo Mondego (ABBM), logo no início das declarações à comunicação social, enquanto aguardávamos a chegada da água ao canal de rega perto da ponte dos Casais.

O agricultor de arroz de Maiorca acrescentou que o restabelecimento do canal de rega traz também “uma responsabilidade acrescida de continuar a produzir cada metro quadrado” do vale do Mondego.

O dirigente da ABBM salientou ainda que o sucesso da intervenção demonstra ao poder político que “vale a pena investir nesta região”, defendendo que existe retorno económico.

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A obra foi concretizada em prazo considerado curto para a sua dimensão. Segundo José Pinto da Costa, o objetivo foi alcançado, resultado que atribui à cooperação entre entidades e à vontade política. “Quando há cooperação entre as várias entidades e quando há vontade política, ultrapassam-se barreiras”, afirmou.

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O responsável alertou para a gravidade do cenário que estava em causa. Sem água a circular no canal, poderiam ficar comprometidas cerca de 2.500 famílias ligadas à atividade agrícola do Baixo Mondego e um investimento de cerca de 30 milhões de euros em sementeiras. “Poderíamos estar a pôr em causa uma economia local”, referiu.

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Além da importância económica, o agricultor destacou também o impacto humano da intervenção. “Hoje, mais do que concluir esta obra, estamos a devolver normalidade à vida das pessoas”, afirmou, acrescentando que os agricultores demonstraram confiança no projeto ao avançarem com os trabalhos agrícolas antes mesmo da chegada definitiva da água.

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O responsável lembrou também que a Associação de Regantes mobilizou tratores com cisternas para abastecer explorações agrícolas, numa tentativa de minimizar os prejuízos provocados pela escassez hídrica. Admitiu ainda que a chuva entretanto registada ajudou a aliviar parte da pressão sentida pelos agricultores.

Apesar da satisfação pelo resultado alcançado, o responsável da ABBM lembrou que o projeto hidroagrícola do Baixo Mondego continua incompleto. “Neste momento temos apenas cerca de 70% da obra feita”, afirmou, acrescentando esperança de que o programa “Água que Une” possa acelerar a conclusão das restantes infraestruturas.

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A estratégia “Água que Une”, apresentada pelo Governo português em 2025, prevê cerca de 5 mil milhões de euros de investimento no país até 2030. Na Região Centro está prevista a construção da Barragem de Girabolhos e a modernização da rede agrícola do Baixo Mondego.

Sobre a areia depositada nos campos, José Pinto da Costa revelou que os próprios agricultores têm em curso um projeto para a sua remoção.

Fotografia: Associação de Beneficiários do Baixo Mondego

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