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Relatório técnico identifica prioridades após conclusão da obra no canal de rega
Obra no canal de rega afetado durante as tempestades de 2026 concluída no prazo. Relatório técnico da Ordem dos Engenheiros traça dez recomendações.
A reabertura do canal de rega do Baixo Mondego e a apresentação do relatório técnico sobre as cheias de 2026 marcaram esta sexta-feira. Com a visita da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho houve palmas quando a onda de água chegou junto do dique dos Casais debaixo da autoestrada.
A sessão na Agência Portuguesa do Ambiente (APA) onde foi apresentado o Relatório Técnico sobre as cheias de 2026 foi dominada por apelos à prevenção, à adaptação climática e à criação de um modelo de cogestão para a bacia hidrográfica do Mondego.
A Ordem dos Engenheiros propõe para a cogestão do Mondego uma empresa, como existe para o Alqueva, já a ministra prefere um modelo de cogestão liderado pela APA em parceria com municípios.
“O Mondego é parte inseparável da identidade de Coimbra”
Na abertura da sessão, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa sublinhou a importância estrutural do Mondego para a região e lembrou os impactos das cheias de 2026 nas populações, agricultura e infraestruturas.
A autarca considerou que os fenómenos extremos “deixaram de ser acontecimentos excecionais” e destacou a necessidade de “governar com conhecimento, antecipação e responsabilidade”, envolvendo autarquias, agricultores e empresas.
A responsável saudou ainda a conclusão da obra de reconstrução do dique e do canal condutor, afirmando que o momento representa “o cumprimento de duas promessas”: a conclusão da intervenção e a entrega do relatório técnico sobre as cheias.
Ana Abrunhosa deixou alguns dos compromissos da Câmara Municipal de Coimbra para com o Mondego.
Relatório recomenda reforço urgente da capacidade da Aguieira
O coordenador do grupo de trabalho da Ordem dos Engenheiros, Armando Silva Afonso, apresentou as principais conclusões do relatório técnico sobre o impacto das tempestades de 2026 na bacia do Mondego.
Segundo explicou, o documento difere de relatórios anteriores por assumir uma abordagem “holística”, abrangendo não apenas questões hidráulicas, mas também governação, prevenção e adaptação às alterações climáticas.
Entre as dez recomendações apresentadas destacam-se:
- aumento urgente da capacidade de regularização do sistema da Aguieira;
- construção da barragem de Girabolhos;
- reavaliação da interação entre o viaduto da A1 e o leito do rio;
- reforço estrutural dos diques;
- modernização dos sistemas de previsão e alerta;
- maior articulação da Proteção Civil;
- criação de uma empresa para a cogestão para toda a bacia do Mondego.
“Já corre água no canal”
O presidente da APA, José Pimenta Machado, agradeceu à Ordem dos Engenheiros, aos técnicos da agência, aos agricultores, autarquias e empreiteiros envolvidos na recuperação do canal.
“O grande sentimento é de dever cumprido. Já corre água no canal”, afirmou, destacando que a obra prevista para 45 dias ficou concluída em apenas 30.
O responsável salientou ainda o “espírito de equipa” entre municípios, APA e Governo durante a gestão da crise.
Ordem dos Engenheiros alerta para mudança estrutural do regime hidrológico
Em representação da Ordem dos Engenheiros, o vice-presidente da instituição afirmou que o relatório demonstra uma “alteração estrutural das condições hidrológicas”.
Segundo referiu, em apenas 25 anos registaram-se quatro episódios de cheias de magnitude excecional — 2001, 2016, 2019 e 2026 — o que evidencia que fenómenos antes considerados raros estão a tornar-se recorrentes.
O dirigente defendeu investimentos na manutenção preventiva das infraestruturas, maior adaptação do sistema hidráulico e uma governação mais participada da bacia.
Ministra admite necessidade de rever projeto do Mondego
A ministra do Ambiente e Energia destacou a rapidez da intervenção no canal condutor e confirmou que o sistema voltou a funcionar plenamente antes do prazo inicialmente previsto.
A governante revelou que as obras estruturantes deste ano rondam os 14 milhões de euros, estando previstos mais seis milhões em 2027 para limpezas e desassoreamento.
Durante a intervenção, Maria da Graça Carvalho considerou essencial revisitar o projeto original do Baixo Mondego, desenvolvido nos anos 70 pelo professor Armando Lencastre.
A responsável concordou com várias das recomendações do relatório, nomeadamente:
- reforço da capacidade de encaixe da Aguieira;
- necessidade de uma nova barragem (a de Girabolhos);
- estudo da interação entre viadutos e o rio;
- reforço dos diques;
- modernização dos sistemas de previsão.
“Os modelos acertaram no dia e na hora”
A ministra do Ambiente destacou ainda que os modelos hidrológicos da APA previram corretamente o momento da rutura do dique.
“Os modelos da APA acertaram no dia e na hora em que se deu o rombo do dique”, afirmou, defendendo, contudo, maior transparência e melhoria dos sistemas de recolha e partilha de dados.
A governante mostrou abertura para um modelo de cogestão do Mondego, embora tenha rejeitado, para já, a criação de uma nova empresa pública, defendendo antes o reforço da estrutura existente da APA.
Sessão termina com elogios ao arroz do Mondego
A sessão terminou num clima descontraído, com referências ao arroz do Mondego e ao arroz-doce de Montemor-o-Velho.
“O arroz do Mondego vai ser o melhor arroz de Portugal”, brincou o presidente da APA.
APA anuncia reabertura das praias de Albufeira
Durante a sessão, o presidente da APA, José Carlos Pimenta Machado, aproveitou para anunciar que as praias do Inatel e dos Pescadores, em Albufeira, iniciam a época balnear com “ótima qualidade” da água, segundo análises realizadas pela APA.
Pode ouvir parte da sessão no podcast do início do artigo.
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