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Assembleia Magna: Queima das Fitas 25′ com saldo positivo e menos transparência

Queima das Fitas 2025 termina com saldo positivo de 140 mil euros. Relatório de Contas aprovado com 195 votos a favor e parecer positivo do Conselho Fiscal, mas criticado por falta de transparência nos 2,4 milhões de euros gastos na edição.

O Auditório da Reitoria, no Polo I da Universidade de Coimbra (UC), abriu portas antes das 18h00. Após a primeira chamada, às 18h14, sem o quórum necessário para dar início aos trabalhos, a quarta Assembleia Magna da Associação Académica de Coimbra (AAC) do ano letivo 2025/2026 começou às 18h42, na segunda chamada.

Entre os quatro pontos previstos na ordem de trabalhos, a apresentação e votação do Relatório de Contas da Queima das Fitas 2025 esteve em destaque. O conjunto de eventos da QF2025 resultou num saldo positivo de 140.067,63 euros, numa receita de 2.551.385,64 euros.

Após a apresentação do Relatório, alguns estudantes intervieram. Lara Leal, estudante da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), questionou a falta de discriminação dos valores do documento.

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A estudante sublinhou a ausência de comparação entre os valores previstos e os executados, algo apresentado em Relatórios prévios. A Academista levantou também questões acerca dos bilhetes “oferecidos” por parte da COQF e da falta de descrição de receitas dos patrocínios e da bilheteira.

Em resposta às críticas sobre a transparência do documento, o coordenador geral da Comissão Organizadora da Queima das Fitas (COQF), Carlos Missel, apontou que um documento mais complexo conduz a atrasos na publicação e na transferência de valores pendentes às Secções da Casa.

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O coordenador geral explicou que os dados financeiros, que incluem centro de custos e faturas, são analisados pelo Conselho Fiscal da AAC (CF/AAC), Conselho Diretivo da COQF, técnicos e serviços de contabilidade. Neste sentido, o responsável acredita que é garantido o rigor e a conformidade, mesmo com um resultado público menos descritivo.

O responsável acrescentou ainda que alguns valores relativos a patrocínios não podem ser divulgados por imposição contratual, devido a cláusulas de confidencialidade exigidas pelas marcas.

Sobre o relatório de contas, o Conselho Fiscal da AAC deixou um parecer positivo após escrutinar as faturas. O recém-eleito presidente do CF/AAC, Francisco Porto, destaca, no entanto, que o Relatório apresentado aos associados deveria ser mais descritivo, processo que não compete ao CF/AAC .

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Em entrevista à RUC, Francisco Porto explica ainda o aumento no valor de produção da Serenata Monumental, que em 2024 teve o custo de 900 euros e em 2025 subiu para 45.540 euros.

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A próxima Magna está agendada para dia 11 de maio, nos jardins da AAC. Ao microfone dos 107.9FM, o presidente da Mesa da Assembleia Magna (MAM/AAC) confirma que os associados podem contar com uma Assembleia de Estudantes distinta e focada em recordar o passado da Academia.

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O presidente da MAM/AAC sublinha ainda que vão estar presentes figuras das passadas Direções-Gerais da AAC.

No terceiro ponto da ordem de trabalhos, Tiago Miranda, membro da equipa da Comissão Organizadora da Queima das Fitas 2026, anunciou a nova equipa da COQF 2026, que foi aprovada com 194 votos a favor e 30 abstenções.

No espaço para outros assuntos, Paula Machado, estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), apresentou uma moção acerca da revisão do Regime Jurídico dos Graus e Diplomas (RJGD) do Ensino Superior. A proposta apresentada pelo governo prevê um aumento da exigência para os candidatos que pretendam entrar no ensino superior, por concursos especiais de acesso.

A estudante reivindica um Ensino Superior público, gratuito, democrático e de qualidade e apela à DG/AAC que tome uma posição pública.

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Em resposta, José Machado, presidente da DG/AAC, compromete-se a adotar uma posição conjunta com o movimento estudantil. O dirigente adianta ainda que a Direção-Geral da AAC está, a pedido do Governo, a trabalhar num documento relativo ao tema, junto de outras Academias.

A 27 de abril, os estudantes da UC receberam, por email, uma nota relativa ao resultado da primeira reunião extraordinária do Conselho Geral da UC (CG/UC). No documento surge a indicação da fixação e alteração de propinas relativas a onze cursos de 2.º e 3.º ciclos de estudos. O alerta foi levantado por Úrsula Ventura, estudante da FLUC, que questionou as propostas e a falta de esclarecimento aos estudantes sobre os novos valores das propinas.

José Machado, em resposta, confessou não estar presente na reunião, mas manifestou descontentamento com a decisão tomada. Após diálogo e por falta de quórum, a estudante sugeriu a elaboração de uma moção de censura à decisão do CG/UC, ponto a ser debatido na próxima Assembleia Magna.

Ainda no ponto dos outros assuntos, Hugo Faustino, estudante da FLUC, dirigiu-se ao púlpito para pedir à DG/AAC que pense na comemoração dos 120 anos da Crise académica de 1907. O estudante propõe que a celebração se divida entre 2027 e 2028 e refere que o planeamento antecipado permite uma maior organização. A Direção-Geral da AAC vinculou-se à proposta e sugeriu a criação de uma convocatória aberta, para todos os estudantes poderem partilhar ideias.

Na Magna, Francisco Flor anunciou que o processo de censos e o calendário eleitoral vão ser atrasados. José Machado deixou também algumas informações sobre as atividades que a DG/AAC realizou nos últimos meses. Em destaque menciona a instalação de novas ilhas nos jardins da AAC e realça as conquistas nos Campeonatos Nacionais Universitários (CNU) das equipas da casa.

O presidente da DG/AAC pediu ainda para adicionar à ordem de trabalhos um voto de pesar por três estudantes falecidos na UC, proposta aprovada por unanimidade, com 223 votos.

A quarta Assembleia de Estudantes do mandato de Francisco Flor, enquanto presidente da MAM/AAC, terminou pelas 19h50.

 

Fotografia: Jornal A CABRA

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