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“Palavras da Liberdade” protegem valores do início da Crise Académica de 1969
De cravos na batina, 57 anos depois, a Academia voltou a “pedir a palavra” e a recordar a data histórica com a inauguração de uma exposição no Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra (DM/UC).
Contexto histórico
A 17 de abril de 1969, teve início aquela que ficou marcada como a “Crise Académica de 69′ ”. Na inauguração do “Edifício das Matemáticas”, com a presença do Presidente da República, Américo Thomaz, Alberto Martins, à data presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), pediu a palavra para falar dos problemas da Academia. A atitude foi recordada por José Machado, atual presidente da DG/AAC, com admiração.
Em 69’ o pedido para falar foi negado a Alberto Martins e os estudantes responderam com protestos e greve às aulas. Em resposta, o Governo decretou prisão e enviou alunos para a Guerra do Ultramar.
Maria António Ferro era estudante de Medicina e, após 57 anos, ainda se recorda de estar na sala, no momento que desencadeou a Crise Académica.
Num conflito que mais tarde veria o desenlace na Revolução dos Cravos, a inauguração das Matemáticas e os dias que se seguiram, não ficaram esquecidos e vários documentos foram armazenados no Arquivo da UC (AUC). Há quatro anos, a RUC “recontou a história” em reportagem.
Exposição
57 anos volvidos, a Academia voltou a tirar o espólio do baú e inaugurou uma exposição no átrio do DM/UC com 25 documentos históricos, que vão de 1968 a 1974. Cartas trocadas entre a Reitoria e a AAC, fotografias e um livro de atos do senado, estão entre os objetos retirados do fundo documental do Arquivo e selecionados “a dedo” pela curadoria da exposição, como explica Maria Cristina Freitas, diretora do AUC.
A mostra vai ficar exposta durante um mês no Departamento de Matemática, no polo I da UC.
Sessão solene de inauguração
Na cerimónia que antecedeu a inauguração da exposição, assinalada às 14h30 de 17 de abril, José Machado apontou que a comemoração não serve para “recordar a crise académica, mas sim para protegê-la”. “Democracia, liberdade, igualdade e universalidade” são as palavras que o Academista reconhece como pilares herdados do passado. Sustentado nestes valores, reforça a posição da DG/AAC na recusa do partido Chega.
Para encerrar o discurso, o presidente da DG/AAC deixou o convite a todos os presentes para, também eles, serem “embaixadores da democracia”.
Em representação da Câmara Municipal de Coimbra, Ricardo Lino falou ao auditório da sala 17 de abril e reforçou a importância do espírito ativo académico para a cidade e para a autarquia.
Na sessão houve ainda espaço para que o vice-reitor da UC, João Nuno Calvão da Silva, deixasse um elogio à comunidade académica e recordasse que “a democracia ainda não está concluída”.
Alberto Martins não marcou presença na cerimónia por ter de tomar posse como conselheiro de estado indicado pelo Presidente da República, António José Seguro.
As fotografias que marcaram o dia da inauguração podem ser vistas na galeria em anexo.
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