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NED/AAC organizou debate político sobre juventude
O debate político “Os Problemas Reais dos Jovens Portugueses”, organizado pelo Núcleo de Estudantes de Direito da Associação Académica de Coimbra (NED/AAC), aconteceu no dia 13 de abril, e reuniu várias forças políticas.
A habitação, as propinas, a saúde mental e a emigração foram os temas centrais da atividade dinamizada pelo NED/AAC, que agregou diferentes perspetivas sobre os assuntos da atualidade. Estiveram presentes Maria Paixão (Bloco de Esquerda), João Curvelo (CDS), Celso Monteiro (Iniciativa Liberal), Jorge Pinto (Livre), Paula Machado (PCP), Sofia Pereira (PS) e Henrique Milheiro (PSD). Todos os participantes concordaram na urgência de abordar estas temáticas, embora nem sempre tenham estado de acordo nas possíveis soluções. Em entrevista à RUC, Margarida Marques, Coordenadora do Pelouro de Ciência Política do NED/AAC, explicou a dinâmica de proximidade deste debate.
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Habitação: um problema sem solução próxima
Nesta temática, houve consenso de que a habitação se trata de um problema duradouro, sem solução imediata, ainda que com diferentes leituras e propostas. O BE destacou o impacto do alojamento local (e falta de fiscalização) na escassez de casas, enquanto o PSD sublinhou o caráter estrutural da crise, apontando falhas no ordenamento do território. Já o PS considerou as mais recentes medidas bastante ineficazes, reconhecendo limitações como a falta de mão de obra. O Livre alertou para entraves relacionados com heranças, ao passo que a IL enfatizou a necessidade de atualizar os PDM às realidades atuais, denunciando problemas de licenciamento e o elevado número de imóveis devolutos, como se verifica em Coimbra. O PCP insistiu na importância da construção pública, identificando os baixos salários como obstáculo central, enquanto o CDS rejeitou que o Estado deva assumir esse papel, argumentando que não dispõe de meios para tal.
Propinas: um tema que divide as forças políticas
As visões sobre o financiamento do ensino superior divergiram nas várias intervenções. A IL questionou o modelo atual de acesso ao Ensino Superior, associando-o ao grau de dificuldade dos exames nacionais, enquanto o CDS apontou o alojamento como o maior entrave, defendendo que o Estado não pode assumir todos os custos e que a propina funciona como um mecanismo de justiça social. O PCP contrapôs com a defesa do fim das propinas, distinguindo essa proposta de um modelo de “propina zero”, enquanto o PS enquadrou a questão nas políticas públicas universais, alertando para os riscos da mercantilização do ensino superior. O BE aproveitou o argumento de que o valor das propinas é pouco significativo, sugerindo, por isso, que deveria ser eliminado. O Livre defendeu o papel fundamental do Estado no investimento na Educação, propondo deduções em IRS para associações e ONG dos valores pagos pelos estudantes. Por fim, o PSD trouxe para o debate a promessa do PS de criar 15 mil camas para estudantes, sublinhando algumas incoerências governativas que conduziram à situação atual.
Saúde Mental: um longo caminho a percorrer
O PCP apontou a falta de psicólogos e classificou como um fracasso a medida do cheque-psicólogo, à semelhança dos restantes partidos. A IL alertou para a ausência de formação adequada, tanto para docentes como para não docentes, destacando a gravidade da situação nas escolas e os rácios considerados alarmantes, preocupação também partilhada pelo CDS. O BE centrou a discussão no papel do SNS como resposta essencial, enquanto o PS criticou o governo AD por recorrer a soluções de “penso rápido” em vez de medidas estruturais. O Livre mencionou que a saúde mental ganhou visibilidade no debate público, e apontou a elevada procura da linha de apoio ao suicídio, como sinal da dimensão do problema. A partir deste ponto, o representante do PSD, Henrique Milheiro, não interveio, uma vez que teve de sair mais cedo.
Emigração: entre as oportunidades e os desafios
O Livre apontou as condições laborais como fator central, sublinhando que o país forma jovens que depois perde, num contexto marcado pela globalização. O PS atribuiu responsabilidades à ação de atores políticos que não pensam a longo prazo, enquanto o CDS defendeu políticas de fixação e caracterizou o problema como multidisciplinar, exigindo respostas em várias áreas. O BE destacou a insuficiência do salário mínimo face à inflação e as desigualdades territoriais, referindo a falta de serviços no interior. Em linha com aspetos anteriormente mencionados, o PCP criticou o retrocesso do pacote laboral em discussão, ao passo que a IL referiu alguns modelos de liderança que afastam trabalhadores recém-formados.
Nota de repúdio à DG/AAC pelo CDS
O debate ficou ainda marcado pela nota de repúdio de João Curvelo (CDS), face à decisão tomada em Assembleia Magna, no dia 25 de fevereiro, de “excluir incondicionalmente o Partido CHEGA de eventos ou iniciativas cívicas, sociais, económicas, mediáticas ou políticas dos órgãos centrais, intermédios e estruturas da Associação Académica de Coimbra”, conforme sinalizado no documento aprovado.
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Sofia Pereira (PS), em resposta, comentou as palavras de João Curvelo, relativamente ao posicionamento global da DG/AAC sobre o partido CHEGA.
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No final da atividade, alguns estudantes manifestaram desagrado com o trabalho da moderação. Margarida Marques, que moderou a conversa, explicou que não era intenção tirar a palavra a qualquer interveniente.
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A organização referiu, ainda, que esta iniciativa resultou da intenção do NED/AAC de proporcionar momentos de diálogo e partilha de ideias sobre o estado do país.
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