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Movimento estudantil procura consenso sobre inteligência artificial no ensino superior
O debate sobre o papel da inteligência artificial no ensino superior marcou um dos momentos de maior consenso no Encontro Nacional de Direções Associativas (ENDA), que decorre em Coimbra.
Segundo José Machado, presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), a decisão de retirar as diferentes moções sobre Inteligência Artificial no ensino superior permitiu concentrar o trabalho do movimento estudantil num documento comum.
O dirigente explicou que todas as propostas aprovadas no encontro são posteriormente enviadas à tutela e a entidades públicas, pelo que é importante garantir que o movimento estudantil apresenta posições claras e consistentes.
Segundo José Machado, a decisão foi resultado de um entendimento entre várias associações e federações de estudantes, num processo que considera pouco comum em encontros anteriores.
Diferenças nas propostas sobre financiamento
Outro dos temas em debate no encontro foi o financiamento do ensino superior. Durante os trabalhos foram apresentadas várias moções com perspetivas diferentes sobre o modelo de financiamento das instituições.
O presidente da DG/AAC explicou que existem posições distintas entre organizações estudantis, sobretudo no que diz respeito à relação entre universidades e institutos politécnicos.
Algumas propostas defendem uma maior igualdade no financiamento entre os dois sistemas, enquanto outras consideram que as universidades devem receber mais recursos devido ao investimento em investigação científica.
Planeamento financeiro a longo prazo
No caso da proposta apresentada pela Associação Académica de Coimbra, a principal preocupação passa pelo reforço do planeamento financeiro das instituições.
Segundo José Machado, é importante que universidades e institutos politécnicos possam contar com modelos de financiamento estáveis e previsíveis, que permitam desenvolver projetos estratégicos a médio e longo prazo.
A proposta sugere, por exemplo, a criação de quadros orçamentais plurianuais semelhantes aos utilizados em programas europeus, explicou o dirigente à RUC.
Debate sobre cooperação entre sistemas
Durante a entrevista, José Machado foi também questionado sobre o debate em torno da possível aproximação entre universidades e institutos politécnicos em cidades como Coimbra, onde coexistem instituições dos dois sistemas.
O dirigente estudantil referiu que, do ponto de vista legal, uma eventual fusão entre instituições não é atualmente possível. Ainda assim, admite que futuras reformas do ensino superior possam trazer novas perspetivas para o sistema.
Para já, sublinhou, a principal preocupação deve ser garantir que qualquer mudança beneficia os estudantes.
O Encontro Nacional de Direções Associativas reúne dirigentes estudantis de todo o país para discutir propostas e posições comuns sobre os principais desafios do ensino superior em Portugal.
As moções aprovadas durante o Encontro Nacional de Direções Associativas serão agora compiladas pela organização e enviadas ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação e aos partidos políticos.
Segundo a organização, as diferentes propostas aprovadas no encontro não são incompatíveis entre si, podendo contribuir conjuntamente para o debate sobre o futuro do ensino superior em Portugal.
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