![[object Object]](/cdn-cgi/image/width=1920,quality=75,format=auto,onerror=redirect/https://bucket.ruc.pt/wp-content/uploads/2025/12/04171919/Soraia-Santos-e1764868841302.jpg)
Investigadora doutoranda da UC pesquisa melhor inseticida para exterminar vespas-asiáticas
A vespa velutina, mais conhecida como vespa-asiática, é uma espécie considerada invasora em Portugal desde 2011. É a principal caçadora das abelhas-europeias (ou abelhas do mel) e representa um risco ecológico, económico e de saúde pública. Soraia Santos, doutoranda em Biociências na Universidade de Coimbra, está a desenvolver a tese com o objetivo de encontrar o melhor inseticida contra a vespa-asiática.
O controlo e extermínio da espécie é realizada de duas formas, segundo a investigadora: com a queima dos ninhos ou com o uso de produtos químicos. O primeiro método é perigoso, em especial nas alturas de maior calor, e alguns inseticidas podem impactar de forma negativa o ecossistema, explica Soraia. Desta forma, a pesquisadora está a estudar qual o químico que, com a menor quantidade possível, consegue eliminar a vespa sem ser detectado e também sem prejudicar as abelhas ou o ambiente.
A investigadora já tinha feito parte do projeto “CONTROLVESPA- Desenvolvimento de Estratégias para CONTROlar a invasão da vespa velutina”, que trabalhou na parte da eco-toxicologia (o estudo dos efeitos de poluentes em ecossistemas). Porém, Soraia identificou uma falta de investigações e projetos sobre como as vespas respondem a stresses de pesticidas e de agentes patogénicos
A vespa velutina não caça só abelhas do mel: a pesquisadora aponta um estudo de 2024, que identifica cerca de 1400 espécies predadas, grande parte polinizadores de campos agrícolas. Essa situação cria um desequilíbrio nos ecossistemas e, por consequência na economia local, já que vários apicultores ficam com colmeias enfraquecidas ou até mesmo destruídas.
Através dos testes realizados, a investigadora descobriu que um dos inseticidas mais usados contra a vespa tem um efeito adverso: em vez de matar, o pesticida repele. O resultado parece promissor, já que afasta as vespas das colmeias, mas Soraia explica que isso não as impede de criar um novo ninho. Assim, o grupo já verificou que um dos inseticidas testados, em dose suficiente para exterminar cerca de 50% da população das vespas num ninho, não é detectado e é mais sensível para as vespas do que para as abelhas.
Apesar de existirem muitos ninhos de vespa asiática, Soraia revela que o maior obstáculo está na recolha, já que não podem ser nem muito pequenos (dessa forma tem poucas amostras) nem muito grandes (existem ninhos com mais de dez metros de altura). Outra dificuldade vem com o Verão: a investigadora admite que o fato de proteção tem falta de ventilação. Mesmo assim, refere estar muito satisfeita com a colaboração dos municípios e das entidades de segurança.
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