
Casa Cor-de-Rosa do IPC marca nova fase do voluntariado em Coimbra
Feira de Associações de Voluntariado de Coimbra terminou, ontem sábado, com balanço amplamente positivo e uma novidade que promete ajudar na transformação do setor na região. O Instituto Politécnico de Coimbra vai disponibilizar a chamada Casa Cor-de-Rosa, no campus da Escola Superior Agrária, para acolher várias associações de voluntariado num espaço comum.
Uma medida que, segundo participantes, pode marcar o início de uma nova fase de colaboração e sinergias entre organizações. Para Gustavo Assunção, diretor da Reabilita Coimbra, esta proximidade física muda tudo.
Durante o encontro, aconteceu uma conversa sobre o futuro do voluntariado na cidade. Participaram representantes de várias entidades, entre elas, a VOLUNTAS do ISCAC, a Coimbra Coolectiva, o TUMO Coimbra e a Reabilita – associações com perfis e públicos distintos, mas que partilharam preocupações.
Madalena Abreu, professora no ISCAC do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) e fundadora da VOLUNTAS, lembrou que o envolvimento dos portugueses em ações solidárias tem vindo a diminuir de forma significativa. Há dez anos, cerca de dezassete por cento da população participava em atividades de voluntariado. Hoje, esse número caiu para menos de oito por cento. Ainda assim, destaca que as empresas começam a valorizar esta experiência no currículo dos candidatos, o que pode motivar mais jovens a participar.
Na mesma linha, Gustavo Assunção reconhece que as pessoas se têm afastado da ação voluntária. Mas garante que, quando descobrem o trabalho das associações, o envolvimento cresce rapidamente.
Nuno Pinto, da Coimbra Colectiva, chamou a atenção para a crescente polarização da sociedade e para o facto de o Estado falhar em várias áreas sociais. Para ele, é cada vez mais importante fortalecer o papel das comunidades e apostar na participação cívica.
Segundo o responsável, o voluntariado terá um papel determinante na resposta a problemas locais, utilizando o conhecimento e a proximidade das próprias populações.
Mas a grande novidade da feira foi mesmo a oferta feita pelo Instituto Politécnico de Coimbra. A Casa Cor-de-Rosa vai funcionar como um centro de operações onde várias associações terão salas individuais e um espaço comum para reuniões e trabalho partilhado.
A Reabilita, a VOLUNTAS, a Veteranus-Care e a ESN Coimbra são algumas das entidades que já confirmaram presença, mas o número deverá aumentar.
Duas das dificuldades apontada pelo representante da Coimbra Coolectiva, Nuno Pinto, foi a exigência de as associações se constituirem como entidade jurídica para terem apoios estatais e municipais e também a excessiva competição entre elas por apoios.
O diretor da Reabilita explicou que para responder às exigências burocráticas, a própria Reabilita criou um polo jurídico para lidar com candidaturas e contactos com mecenas, uma estratégia que tem permitido manter a atividade.
Do lado dos jovens, Rita Neves, do TUMO Coimbra, recordou que a participação pode crescer muito quando existe espaço para ouvir os mais jovens e perceber como vivem a cidade. O TUMO recebe diariamente entre duzentos e quatrocentos jovens, mas tem capacidade para acolher até mil e quinhentos. Para Rita Neves, pequenas iniciativas como um passeio pela baixa da cidade, podem transformar profundamente a relação dos jovens com a comunidade.
A Feira do Voluntariado mostrou fragilidades, mas também um setor cheio de energia, criatividade e vontade de mudança. Com a nova Casa Cor-de-Rosa e o impulso dado pelo Instituto Politécnico de Coimbra, os participantes acreditam que começa agora uma fase de maior cooperação e impacto social na cidade.
No final, Gustavo Assunção deixou uma mensagem simples e simbólica daquilo que guia todo este movimento:
“Sou diretor da Reabilita Coimbra — e eterno voluntário.”
O Convento São Francisco acolheu, ontem, dia 29, a segunda feira do voluntariado do concelho sob o lema “Agir, Construir e Transformar”. A iniciativa reuniu cerca de 50 associações e foi organizada pela associação Reabilita Coimbra, em parceria com o Município de Coimbra, através do Gabinete para a Igualdade e Inclusão e do Banco Local de Voluntariado.
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