
Estudantes desafiam chuva e manifestam-se pelo fim das propinas e mais ação social
Sob chuva, centenas de estudantes universitários marcharam na última terça-feira pelas ruas de Lisboa até à Assembleia da República, exigindo melhores condições no ensino superior e a abolição das propinas. A mobilização contou com a participação de várias instituições, incluindo estudantes da Universidade de Coimbra.
Apesar do mau tempo, a adesão foi significativa e o espírito combativo evidente. João Pedro Salgado, locutor da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), recolheu testemunhos de estudantes de várias faculdades que, entre protestos e capas molhadas, partilharam as suas visões sobre as razões da manifestação.
“Mesmo sem se ver um palmo à frente com tanta chuva, houve muita gente decidida a sair à rua. É uma amostra de resistência”, afirmou Tiago Antunes, estudante da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH da Nova), destacando o simbolismo da marcha até à Assembleia da República.
Da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Úrsula Ventura sublinhou que Coimbra poderia ter mobilizado “muitos mais” estudantes, criticando a ausência de dirigentes associativos.
“Sem que os dirigentes divulguem, estejam presentes e incentivem, é difícil termos uma boa mobilização. Ainda assim, para as condições que tivemos, foi muito positiva”, declarou.
Questionada sobre as propinas, Úrsula Ventura foi clara.“A propina não precisa de existir. Só precisa de haver mais financiamento”. A estudante acrescentou ainda que a chuva “trouxe mais garra” aos manifestantes, defendendo que “nem com chuva, nem com sol a luta pára”.
Também Tomás Horta, da FCSH da Nova, se mostrou satisfeito com a participação da sua faculdade e destacou o compromisso dos colegas. “São pessoas íntegras, que defendem o que acreditam. Isso é o mais importante”.
Embora rejeite um aumento das propinas, Tomás mostrou-se cauteloso quanto à abolição imediata. “Não faz sentido subir, mas abolir já não é plausível. O Governo deve caminhar nesse sentido, mas de forma gradual”.
Já Inês Costa, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, defendeu uma posição mais firme. “A gratuitidade do ensino superior é uma conquista de Abril. A propina é uma ameaça à juventude e ao futuro. É para acabar, não é para congelar nem aumentar.”
Sobre a mobilização estudantil, Inês reconheceu “dificuldades em manter contacto com alguns núcleos”, mas afirmou que, no geral, “os estudantes mostraram que sabem organizar-se e que o Governo não pode ignorar esta força”.
“Apesar da chuva, o pessoal está bem disposto. Há caras conhecidas e novas. Cada vez mais pessoas entendem que a propina é uma ameaça à frequência no ensino superior”, concluiu.
Entre faixas e cânticos de protesto, a manifestação estudantil desta terça-feira ficou marcada por uma clara mensagem de união e resistência. Mesmo em condições adversas, os jovens reafirmaram a exigência de um ensino público gratuito e acessível a todos e a promessa de que a luta continuará, faça chuva ou faça sol.
Fotografias e som de João Pedro Salgado e edição de Isabel Simões
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