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Taxi no concerto mais concorrido do Rocketmen
The Darts e 999 deram concertos memoráveis, com energia inesgotável e clássicos que fizeram vibrar o Jardim da Sereia. Mão Morta marcaram a noite com a intensidade da sua música e do discurso de Adolfo Luxúria Canibal em defesa da Palestina.
ROCKETMEN – DIA 2 – 1 de agosto
The Darts trouxeram ao Jardim da Sereia um concerto elétrico, lideradas por Nicole Laurenne, vocalista que é uma verdadeira força da natureza, descalça em palco, sempre em movimento e para quem parece que parar é morrer. Vestidas de preto apesar do sol abrasador, contavam com ventoinhas e garrafas de água para enfrentar o calor. Estrearam cinco temas compostos durante a tour europeia, incluindo Midnight Creep, que teve direito a coreografia para o público orientada por Natasha, técnica de som da banda, vestida num fato de morcego, e The Devil Made Me Do It, tema apresentado apenas pela segunda vez ao vivo. O fecho foi apoteótico, com My Heart is a Graveyard, um dos maiores sucessos do grupo. No fim do concerto, desceram de imediato do palco e seguiram direto por entre o público até à entrada do jardim, ficando mais de uma hora com os fãs a assinar CDs e vinis. Suadas mas incansáveis. Verdadeiras forças da natureza e sem dúvida alguma uma das melhores bandas a passar pelo festival.
Entrevista a The Darts após soundcheck.

A seguir foi a vez dos britânicos 999, que mantiveram o nível alto. Prestes a celebrar 50 anos de carreira, a banda continua com energia de jovens, liderada por Nick Cash, que usou no concerto uma esponja vermelha no microfone oferecida pela RUC durante a entrevista que concederam durante a tarde à nossa rádio. No público, destacavam-se fãs apaixonados de longa data. A afluência foi grande e o entusiasmo evidente. Sem medo de se divertir em palco e com a confiança que só a experiência traz, o quarteto apresentou temas como Li’l Red Riding Hood e Let’s Face It, esta última tocada a um ritmo mais acelerado que o da versão original, como que a desafiar os seus tempos de juventude. A atuação terminou com o épico Homicide, com o público a levantar poeira do chão. Enquanto Nick Cash encerrava o concerto, o baterista Pablo LaBrittain fotografava o público, ele que no final, ofereceu as baquetas aos fãs. Antes de sair, Nick Cash deixou claro que a banda vibrou com os fãs do Jardim da Sereia quando disse “We love you, Coimbra. Coimbra is a fantastic city for music.”
Entrevista a Nick Cash dos 999 no Rocketmen.

Ao inicio da noite, os Mão Morta subiram ao palco naquela que foi a melhor noite do festival no que toca à afluência do público, com o Jardim da Sereia completamente cheio. Do alinhamento, destacaram-se temas como Lisboa e Vamos Fugir. Sapo. O jogo de luzes e o fumo cénico combinava na perfeição com o enquadramento do jardim e com a forma intensa como Adolfo Luxúria Canibal entoava cada canção. Um dos momentos marcantes da noite foi uma pausa longa para um discurso de Adolfo:
“Vocês bebem copos, desfrutam da sexta-feira à noite porque o resto dos dias trabalham como escravos ou estudam para trabalhar como escravos (…) Estão numa sexta-feira à noite a beber copos e a distraírem-se das agruras da vida (…) Queremos dizer que estamos solidários com a Palestina! E queremos que vocês se lembrem. Enquanto estão a divertir-se numa sexta-feira à noite e nós estamos aqui a trabalhar, há pessoas a morrer (…) Pensem, não bebam só copos na sexta-feira à noite.”
Para encerrar, tocaram Anarquista Duval e fecharam o concerto com Aum, fazendo depois uma vénia ao público, que respondeu com aplausos prolongados.
Entrevista a Adolfo Luxúria Canibal dos Mão Morta realizada durante o festival.

A noite continuou com os espanhóis Biznaga que, sem tempo para fazer soundcheck, não esconderam a irreverência da juventude ao testar o som em pleno palco em frente ao público durante cerca de dez minutos, antes de iniciarem o concerto a sério. Arriscaram comunicar na sua língua natal e, em três momentos distintos, conseguiram criar ligação com quem estava no Jardim da Sereia. Recordaram que esta era a sua terceira vez em Portugal, agradeceram ao festival pelo convite e manifestaram apoio ao povo palestiniano com a frase “Palestina livre”. Seguiu-se de imediato o tema Agenda 2030, a que se juntaram Benzodiacepinas e Una Historia de Fantasmas. Durante o espetáculo, pediram aplausos para os trabalhadores do festival e confessaram que este foi o seu concerto em Portugal com mais público. Defenderam ainda “mais concertos gratuitos” e com este tipo de ambiente. O fecho chegou com El Entusiasmo, um dos temas de destaque da banda, seguido de um “obrigado” a encerrar a atuação, respondido de forma calorosa pelo público. Com este espetáculo, mais do que complementar os grandes nomes do cartaz, os Biznaga mostraram que vieram para dar um grande concerto.

Com o Jardim da Sereia cheio, os Taxi subiram ao palco naquela que foi, claramente, a atuação mais aguardada do festival. Notava-se que muito do público tinha vindo para reviver os tempos de juventude, e logo nos primeiros temas, Cairo, A Queda dos Anjos e Não Sei Se Sei, a ligação foi imediata. João Grande procurou interagir com a plateia, elogiou a banda anterior e conduziu dois dos momentos mais participados da noite com parte do tema O Fio da Navalha a ser cantado em uníssono com o público. O fecho chegou com o clássico Chiclete, que terminou também entoado coletivamente, enquanto confetis caíam sobre a multidão. Um final de festa, em noite de uma atuação especial que para muitos ficará na memória.

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