
Daniel Innerarity: “Porque não mudamos? Há demasiadas coisas relacionadas com demasiadas coisas!”
Para o filósofo basco, Daniel Innerarity, uma crise é “um momento excecional em que podemos valorizar questões da própria sobrevivência”. Ainda assim, lembra que a maioria das vezes a sociedade volta às suas rotinas sem mudar quase nada.
Para debater “A Europa em Plena Crise ”, tema do encontro que a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) organizou no Dia da Europa, a 9 de maio, em colaboração com a Universidade de Coimbra, no âmbito da iniciativa, “Parlamento Europeu à sua porta”, as duas instituições da cidade convidaram o professor catedrático de Filosofia Política e Social na Universidade de Saragoça, Daniel Innerarity.
O jornalista Carlos Magno moderou o debate e deu a conhecer à RUC a principal conclusão da conferência que o filósofo basco deu a distância. Para Daniel Innerarity, os problemas atuais da humanidade são complexos e estão interligados.
De acordo com Carlos Magno, o professor catedrático de Filosofia Política e Social na Universidade de Saragoça confirmou na conferência a capacidade de antecipação que tem, ao identificar questões que mais tarde provocam crises. Por essa razão, políticos como o presidente francês, Emanuel Macron, ouvem-no com frequência.
A questão Putin-Ucrânia foi abordada por todos no debate. O filósofo basco, segundo Carlos Magno, é especialista em negociação. Na conferência manifestou a dificuldade em encontrar uma resposta única quando “todos os problemas do mundo, hoje, estão encadeados”.
O presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), José Manuel Silva, vê as crises como “oportunidades para se construir um futuro melhor”. O foco do problema para o autarca de Coimbra está quando se permite que se acentuem desequilíbrios. O autarca lembrou “o caminho de paz” que a Europa foi percorrendo após a segunda Grande Guerra, paz que volta a ser posta em causa com a guerra na Ucrânia.
Também o vice-reitor da UC para as Relações Externas e Alumni, João Nuno Calvão da Silva, considerou que nas diferentes crises que a Europa tem vivido, o mais preocupante, passa por “todos aqueles que ficam para trás”. Faz todo o sentido continuar a pensar a “Europa”, esclareceu o vice-reitor. Manifestou também preocupação pelo grassar no território europeu dos populismos, quer de direita, quer de esquerda.
O presidente da Erasmus Student Network Coimbra, Francisco Silva saudou a abertura de fronteiras em relação à crise de refugiados oriundos da Ucrânia. Já Constança Providência, membro do Conselho Geral da UC, contou histórias de sucesso de trabalho cooperativo de cientistas europeus. Na conferência marcou também presença o presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra, João Caseiro.
O quarteto de cordas da Orquestra Clássica do Centro interpretou algumas peças, entre elas, o «Hino à Alegria», composto por Ludwig Van Beethoven, em 1823.
A conferência fez parte do ciclo de “Conversas na Casa da Lusofonia”, uma iniciativa que pretende aproximar atuais e antigos estudantes, nacionais e internacionais, da Universidade de Coimbra, convidando personalidades de relevo para debater problemas da atualidade.
Fotografias: CMC
PARTILHAR:
