![[object Object]](/cdn-cgi/image/width=1920,quality=75,format=auto,onerror=redirect/https://bucket.ruc.pt/wp-content/uploads/2023/12/31113211/smtuc-1.jpg)
Promessas, críticas e desafios moldam mobilidade em Coimbra
Entre problemas estruturais antigos e promessas de mudança, os SMTUC estiveram no centro das atenções de vereadores e deputados municipais nas últimas sessões doa ano. A não inclusão dos passes subsidiados pelos SMTUC no passe intermodal Move-C que vai permitir, para já, com um único cartão viajar nos SMTUC e no MetroBus foi uma das inquietações anunciadas.
A mobilidade voltou ao debate político nas últimas reuniões de Câmara e de Assembleia Municipal de Coimbra. As duas sessões foram marcadas por alertas, anúncios de reforços nos transportes públicos e apelos à responsabilização política.
Na última reunião de Câmara de 2025, logo pela manhã, Celso Monteiro, vereador da Iniciativa Liberal (IL), trouxe à discussão uma realidade que considera “inadmissível” e prolongada no tempo: as paragens dos autocarros.
“Uma paragem é um abrigo”, afirmou, sublinhando o contraste entre o conceito e a prática. No concelho de Coimbra, continua a ver-se pessoas encostadas a postes, expostas ao frio e à chuva. Um problema que, segundo o eleito, se arrasta “desde o tempo de Manuel Machado” e para o qual existem soluções simples e já aplicadas noutras cidades, incluindo abrigos com painéis solares e wi-fi. O vereador da IL partido que faz parte da coligação Juntos Somos Coimbra, fez uma descrição da situação.
Em resposta ao vereador da IL, o vereador da coligação Avançar Coimbra, Luís Filipe, informou que as paragens dos SMTUC pertencem na sua maioria a uma empresa privada que tem um acordo que desde 2018 não tem tido evolução. Havia também uma contrapartida em espécie para a Câmara Municipal de 200 mil euros que segundo o vereador não aconteceu. Razão pela qual o contrato está a ser revisto.
Não foi recuperado esse investimento desde 2018. O município prescindiu de uma receita, lamentou.
O atual vice-presidente da Câmara de Coimbra, Miguel Antunes, confirmou o reforço dos transportes públicos, quer nos SMTUC, quer no Metro Mondego na noite de Fim de Ano. Garantiu que está a ser preparado um alargamento do serviço até às duas da manhã, estando os últimos detalhes ainda a ser ultimados. O autarca deixou o convite à população para na passagem de ano apoiar o comércio local.
Maria Lencastre do CHEGA solicitou que se olhe para as freguesias acrescentando ser necessário levar os SMTUC a São Silvestre e a São João do Campo. O transporte assegurado pelo Sistema Intermunicipal deixou de passar no centro de localidades o que obriga alguns utilizadores a deslocações grandes para virem apanhar o autocarro na estrada 111.
A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, confirmou que da parte dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), está em funcionamento um grupo de trabalho para analisar o estudo preliminar sobre a reorganização da rede.
Algumas alterações serão aplicadas ainda antes da entrada em funcionamento da Linha do Hospital do MetroBus. Estão previstos reforços em zonas como o Polo II da Universidade de Coimbra (UC), São Silvestre e São João do Campo, bem como a criação de uma ligação direta entre o Polo I e o Polo II da UC, com o objetivo de reduzir o tráfego automóvel na Praça D. Dinis na Alta Universitária. Esta medida deverá entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2026.
Da parte da nova equipa que governa a Câmara Municipal de Coimbra, o diagnóstico apresentado foi crítico em relação à atuação do anterior Conselho de Administração dos SMTUC. Reconheceu-se que houve esforço na renovação da frota, mas também falhas consideradas “graves”: pouca articulação com os trabalhadores, propostas das comissões de trabalhadores que não foram aplicadas, milhares de horas extraordinárias pagas e autocarros elétricos parados. “Com serviços pouco fiáveis não há aderência”, assumiu Ana Abrunhosa.
A articulação entre os SMTUC e a Busway, empresa que assegura o Sistema Intermunicipal de Transportes da Região de Coimbra (SIT), foi apontada como uma das principais dificuldades estruturais.
Como boa notícia foi ainda anunciado que serão pagas horas extraordinárias para garantir a abertura de postos de venda do cartão intermodal, Move-C, numa tentativa de responder à procura.
No plano político, surgiram várias declarações de confiança na nova administração dos SMTUC. A proposta para presidente do Conselho de Administração da empresa municipal de Eduardo Barata, com Marlene Rodrigues como vogal e a previsão de um segundo vogal, mereceu apoio transversal da parte da vereação da coligação Juntos Somos Coimbra.
Ana Bastos e Ana Abrunhosa elogiaram a nova equipa da administração dos SMTUC, com a presidente da Câmara de Coimbra a recordar que Eduardo Barata tinha sido afastado da MetroBus num momento em que “estavam a fazer um bom trabalho”.
Ana Bastos deixou algumas recomendações à nova gestão e aproveitou também a ocasião para agradecer o trabalho da anterior administração dos SMTUC.
Na Assembleia Municipal, o debate alargou-se à intermodalidade e aos passes bonificados.
Lúcia Santos, do partido Nós, Cidadãos!, defendeu que a mobilidade constrói-se pelo acesso e lembrou que cerca de 7.500 pessoas beneficiam de passes bonificados nos SMTUC. Se estes passageiros aderirem ao passe intermodal e andarem de MetroBus terão de pagar 30 euros para viajar num concelho, 35 euros em dois e 40 para três, caso não sejam abrangidos pelo escalão A e B. Por exemplo, um aposentado que nos SMTUC paga 11,25 Euros se quiser viajar também no MetroBus em Coimbra terá de pagar 30 euros.
A deputada Municipal questionou a continuidade do modelo, tendo em conta que o anterior executivo tinha decidido comparticipar a bonificação para que os passes bonificados se mantivessem para quem viajasse no MetroBus. A deputada municipal defendeu que a intermodalidade “não pode ser limitada” e deve existir para todos.
Do Livre, Graça Simões destacou a importância de uma construção participada na educação e defendeu a criação de um sistema de transportes para alunos em deslocações de visitas de estudo.
Já Rosa Isabel Cruz, do Partido Socialista (PS), alertou para o impacto que poderá ter nos SMTUC uma proposta de projeto-lei apresentado pelos deputados do PS na Assembleia da República para a criação do suplemento à carreira de agente único. A deputada municipal deixou um apelo às forças políticas com representação parlamentar.
Ao final, Ana Abrunhosa trouxe anúncios de âmbito nacional com impacto local: o Conselho de Ministros aprovou a abertura do novo concurso para o troço de Alta Velocidade Oiã-Soure e anunciou a duplicação do IP3 entre Souselas e Viseu, com intervenções faseadas e a construção de uma variante na zona da Livraria do Mondego.
Ficou também claro que, para já, os passes subsidiados que existem nos SMTUC não integrarão o acordo com o sistema do MetroBus para o passe intermodal Move-C. No acordo ficarão apenas de momento os que são bonificados pela lei geral, como o passe dos jovens que estudam até aos 23 anos.
A possibilidade será reavaliada quando da entrada plena do Sistema Integrado de Transportes (SIT) da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra. Ana Abrunhosa invocou, para adiar a decisão, o custo de dois milhões de euros da medida, valor que o município admite não conseguir suportar neste momento.
Entre anúncios, críticas e expectativas, as duas sessões dos órgãos autárquicos deixaram claro que a mobilidade em Coimbra continua a ser um dossier sensível, onde o tempo político corre mais depressa do que a mudança sentida nas paragens, nos horários e no bolso de quem depende dos transportes públicos.
Quanto ao passe intermodal Move-C, enquanto o SIT e a CP não estiverem incluídos não atingirá o pleno do seu objetivo, ou seja, enquanto a população que vive e nos visita não possa viajar em toda a região com um único cartão e a preços atrativos que permitam deixar o carro em casa para passar a utilizar o transporte público.
PARTILHAR:


