AUTOR: Isabel Simões E Luís Pereira

DATA: 22.07.2026

DURAÇÃO: ...

Hoje falámos de política local e nacional e recebemos Helena Mendes, ex-militante do CDS, antiga deputada municipal em Coimbra e professora de Matemática. A conversa começou com uma homenagem da convidada a Luís Represas, falecido nesse dia.

A entrevista da Rádio Universidade de Coimbra centrou-se sobretudo na educação, em particular nos problemas dos exames nacionais de 2026, passando depois para a política local de Coimbra e terminando com uma análise da política nacional.

Relativamente aos exames nacionais, Helena Mendes considera que a digitalização das provas representa uma evolução positiva e deve prosseguir, por trazer maior transparência ao processo de avaliação. No entanto, entende que a implementação este ano foi mal conduzida, apontando falhas na digitalização das provas, problemas informáticos e dificuldades de adaptação ao novo sistema. Defende que as classificações deveriam ter sido divulgadas na data prevista, mesmo que algumas tivessem de ficar temporariamente suspensas, para evitar atrasos na vida académica dos alunos.

A professora de Matemática critica ainda as escolas que não disponibilizaram as provas digitais durante o fim de semana, reduzindo o tempo disponível para os alunos analisarem as classificações antes de pedirem revisão. Considera igualmente desnecessário que algumas escolas de Coimbra tenham exigido requerimentos para facultar as provas, quando existia orientação do Ministério da Educação para as disponibilizar automaticamente.

Enquanto docente de Matemática, sustenta que continua a ser inviável realizar exames totalmente digitais em disciplinas que envolvem cálculos, por ainda não existir software suficientemente intuitivo para escrever linguagem matemática. Por isso, defende a manutenção das provas em papel nessas disciplinas. Admite, contudo, a possibilidade de exames totalmente digitais em disciplinas essencialmente textuais, como Português ou Filosofia.

Apesar dos problemas registados, a convidada mantém a confiança no processo de avaliação. Acredita que o sistema continua a ser fiável, uma vez que os alunos podem consultar a prova e a respetiva correção. Acrescenta que a distribuição da correção por vários professores aumenta a equidade da avaliação e manifesta a expectativa de que nenhum aluno venha a ser prejudicado na candidatura ao ensino superior.

Sobre a cobertura mediática dos problemas ocorridos nos exames nacionais, Helena Mendes entende que a comunicação social cumpriu o seu papel ao acompanhar intensamente o caso. Ainda assim, considera que muitos jornalistas possuem um conhecimento superficial sobre as questões da educação.

Passando para a política local de Coimbra, a ex-deputada municipal faz uma avaliação crítica da atuação do atual executivo. Critica o facto de, no descerramento da placa da inauguração da Quinta das Bicas, não terem sido visíveis representantes do executivo anterior, considerando tratar-se de uma falta de respeito institucional. Ao mesmo tempo, afirma que várias medidas da atual maioria revelam uma orientação mais liberal do que socialista, apesar de o PS integrar a coligação que venceu a Câmara Municipal.

Helena Mendes manifesta também preocupação com algumas decisões urbanísticas, em particular com a suspensão parcial do Plano Diretor Municipal (PDM), por não encontrar uma justificação clara para a urgência da medida e recear que esta possa favorecer a especulação imobiliária. Defende que qualquer intervenção nas margens do Mondego deve ser amplamente discutida, preservando a paisagem e os espaços públicos. Expressa igualmente reservas quanto à pedonalização da Rua da Sofia, argumentando que uma redução do tráfego poderá contribuir para a insegurança e a vitalidade da Baixa.

Sobre a gestão das cheias do Mondego, considera que a resposta inicial da Câmara Municipal foi adequada, mas entende que, numa fase posterior, existiu excesso de alarmismo e protagonismo político. Questiona ainda a coerência entre esse discurso de prevenção e a intenção de permitir mais construção em zonas próximas do rio.

A nível nacional, comenta o fracasso da reforma da legislação laboral. Reconhece que algumas propostas eram inadequadas, mas entende que as medidas consensualizadas em sede de concertação social deveriam ter sido aprovadas. Defende uma maior flexibilidade no mercado de trabalho, argumentando que, na sua perspetiva, existem atualmente demasiados direitos e poucos deveres para os trabalhadores, embora admita que o contexto político não favorecia essa reforma.

Por fim, analisa a situação da direita portuguesa. Afirma que o CDS perdeu identidade e que o seu espaço tradicional se situa no centro político, entre PS e PSD. Considera que o PSD arriscou ao aproximar-se de posições do Chega para captar eleitorado e espera que este partido venha a perder força, algo que considera positivo para a qualidade da democracia.

A entrevista terminou com o desejo de que o verão decorra sem grandes incêndios nem outras situações de crise.