
Coberturas RUC
Todas as coberturas de festivais realizadas pelas equipas da RUC.
UM PROGRAMA DE:
Programação RUC
A californiana Kate Clover passou pelo festival Rocketmen no dia 31 de julho e falou com a Rádio Universidade de Coimbra sobre o concerto antes de subir ao palco. Entre o fim da digressão europeia e o arranque de uma nova tour na América do Norte, conversámos sobre os desafios de tocar ao vivo em dias de calor, os concertos ao ar livre, a ligação entre a vida pessoal e a composição, e as diferenças entre público europeu e americano.
TRANSCRIÇÃO DA ENTREVISTA EM PORTUGUÊS:
RUC: Kate Clover vai atuar mais logo à tarde, no primeiro dia do Rocketman, às 19h. O festival decorre no Jardim da Sereia. Eu sou o Luís Pereira e não podia perder a oportunidade de falar com uma das artistas em destaque no cartaz de hoje. Kate Clover, muito obrigado por estares com a Rádio Universidade de Coimbra. O teu concerto hoje vai ser num jardim. O que mais gostas neste tipo de ambiente?
Kate Clover: Bem, gosto de conhecer novas pessoas e, claro, de tocar em locais invulgares e bonitos como este. Acho que nunca tocámos em frente a uma fonte tão bonita, num cenário tão encantador. Mas o que mais gosto é mesmo de conhecer novos fãs e amigos.
RUC: Hoje está muito calor, não é? Isso é bom ou mau para atuar?
Kate Clover: Bem, como se costuma dizer, o espetáculo tem de continuar. Às vezes acho que o calor até te faz mexer mais, o que parece contraditório. Mas acabas por te envolver mais porque deixas de te preocupar com a aparência, estás todo suado. E isso cria um momento de ligação com o público, porque está toda a gente a sofrer da mesma maneira. É uma espécie de sofrimento universal, mas mesmo assim divertimo-nos. Por isso, gosto de concertos assim, são memoráveis porque passarmos todos pela mesma coisa.
RUC: Acho que tens uma marca de óculos de sol. O que devíamos usar hoje?
Kate Clover: Definitivamente óculos de sol.
RUC: Grandes, talvez?
Kate Clover: Claro, porque assim ficas com um ar mais cool e misterioso.
RUC: Como se chama a tua marca?
Kate Clover: Chama-se TV Eyes.
RUC: E fazes música e, nos tempos livres, geres essa empresa, é difícil?
Kate Clover: É muito difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Mas como tudo na vida, colhes o que semeias.
RUC: Já estás em digressão na Europa há um mês, certo? Tens estado em muitos sítios quase sem parar. Estás muito cansada? Vais agora para os EUA continuar a digressão. Tens concerto já amanhã, não é? E quanto ao público europeu e americano, são muito diferentes?
Kate Clover: Sim, amanhã. Mas não estou cansada porque na verdade nem penso nisso. Se parar para pensar, aí sim, fico cansada. Por isso vivo o momento. Descanso quando sinto que devo e se tiver tempo. Fora isso, trato de mim. O que adoro nos públicos europeus é que são ótimos fãs. Vêm ter connosco, lembram-se de coisas do concerto anterior que até nós já esquecemos. Mostram fotos antigas. É bom reviver esses momentos e ver que voltaram. Gosto muito disso, de voltar a encontrar as pessoas que conhecemos no ano passado. Acho que se cria uma ligação mais forte com o público europeu do que com o americano.
RUC: É a tua primeira vez em Portugal?
Kate Clover: Como música, sim. Já cá estive como turista há cerca de 9 anos.
RUC: Já estiveste em sítios lindíssimos na Europa, como o sul de Espanha. E agora estás no mais bonito de todos, a nossa adorável cidade de Coimbra. Tens tempo entre concertos para passear ou é só concertos, concertos, concertos?
Kate Clover: Às vezes temos, e aproveitamos para sair e passear nos dias de folga. Mesmo nos dias de concerto, se houver tempo, fazemos questão de dar uma volta. Tentamos aproveitar ao máximo.
RUC: Uma vez disseste “a minha vida toda é a fase de preparação”, quando falavas do teu processo criativo. Tudo na tua vida pode virar uma canção ou há coisas demasiado privadas para partilhar?
Kate Clover: Acho que o bom da música é isso, podes partilhar o que quiseres, da forma que quiseres. Podes ser direta e abrir o coração, ou ser mais poética e misteriosa. Não há certo nem errado. O importante é exprimir-te de forma autêntica.
RUC: Também sei que é muito importante para ti que uma banda toque bem ao vivo. Na tua opinião, o que é que uma boa banda precisa para ser boa em palco?
Kate Clover: Não precisam de ser músicos tecnicamente muito bons, mas na minha banda isso é essencial. Gosto de ter músicos tão bons que me façam sentir a pior do grupo, isso faz-me esforçar e tentar ser melhor. Tenho melhorado muito por tocar com gente tão talentosa. Mas lá está, não há fórmula certa, até com uma drum machine podes ser eficaz. O essencial é seres verdadeiro naquilo que tocas.
RUC: Mas procuras certas características quando escolhes os membros da banda?
Kate Clover: A personalidade conta muito, porque vais passar muito tempo com essas pessoas. Percebes logo se são uma boa companhia. Se não forem, provavelmente não vai funcionar.
RUC: Lançaste um novo álbum no ano passado. Há alguma diferença entre este último e o primeiro que lançaste?
Kate Clover: O primeiro ainda era uma exploração, queria fazer um disco punk, mas ainda não sabia bem o que ia fazer musicalmente. Nem sequer tinha tocado aquele projeto ao vivo. O segundo álbum reflete mais como tocamos ao vivo, o que é algo que eu quero sempre capturar num disco. Por isso diria que essa é a maior diferença.
RUC: O Rocketman é um festival de entrada livre. Achas que isso muda o ambiente do público? É também uma oportunidade para chegares a novos fãs?
Kate Clover: Sim! O que gosto nos festivais gratuitos é que as pessoas dão uma oportunidade a bandas que de outra forma nunca veriam. Já conhecemos alguns dos nossos fãs mais dedicados em festivais assim, porque normalmente tocamos em festivais mais de nicho como rock ou punk. Por isso, estamos abertos a tudo, e é por isso que gosto destes festivais. As pessoas vêm com a mente aberta, e é isso que a música deve ser.
RUC: Kate Clover, foi um prazer falar contigo. Obrigado por estares com a Rádio Universidade de Coimbra.
Kate Clover: Obrigada!

