
Estudantes reúnem-se em Lisboa e exigem melhores condições
No Dia Nacional do Estudante, celebrado a 24 de março, milhares de estudantes uniram-se em Lisboa e fizeram-se ouvir. Vindos de vários pontos do país, defenderam o fim das propinas e o alojamento acessível.
O protesto arrancou às 14h30 na Praça do Rossio e seguiu em direção à Assembleia da República. Ao longo do percurso os estudantes entoaram palavras de ordem numa crítica à situação atual da educação no país.
Mais de 40 estruturas do Movimento Associativo Estudantil (MAE), entre associações de estudantes, associações académicas, núcleos, grupos académicos, tunas e comissões de residentes, subscreveram o protesto.
Pelas ruas, a manifestação ganhou vida com estudantes a exibir cartazes e slogans criativos. Alguns alertavam para a dificuldade em pagar propinas, outros chamavam atenção para as bolsas insuficientes. O descontentamento era visível, com grupos de colegas universitários a marchar lado a lado, unidos pela mesma causa.
Inês Odes, membro da organização destaca que este ano a adesão é superior aos anteriores e descreve o cenário visto nas ruas de Lisboa.
Em entrevista à RUC, Lucia Piquita, aluna da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH) afirma que “Não há condições no ensino superior”, e acusa o Governo de abandono para com os estudantes.
Na manifestação marcaram presença alguns deputados como Inês Sousa Real do Partido Animais e Natureza, Paulo Raimundo do Partido Comunista Português, Jorge Pinto e Patrícia Gonçalves do Livre.
Paulo Raimundo, secretário geral do PCP, acompanhou o desfile da manifestação e defendeu que o investimento do Governo no ensino é essencial.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, voltou a defender um aumento do valor das propinas, no mesmo dia em que milhares de estudantes saíram as ruas para lutar por um ensino gratuito. Os estudantes exigem mais apoios sociais, sobretudo no que toca à oferta de alojamento.
Pedro Monteiro, dirigente da Federação Académica de Lisboa, sublinha que, além do aumento das propinas, o alojamento estudantil é um dos principais problemas.
A Associação Académica de Coimbra (AAC) disponibilizou transporte até Lisboa a todos os que se quisessem manifestar. A representar a academia, cerca de 400 alunos dirigiram-se à capital para defender melhores condições. José Machado, presidente da AAC, esteve em reunião com o ministro da Educação e afirma não ter recebido nenhuma novidade.
A manifestação terminou às 16h40, junto à Assembleia da República, ao som de “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, símbolo de resistência do povo.
Em uníssono com a canção e alguns de cravos erguidos, deixaram um apelo ao Governo: “investir no ensino, e não na guerra”.
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