
Posição da DG/AAC sobre a Palestina gera controvérsia
A Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra lançou, ontem, um comunicado em relação à moção “Pela Paz no Médio Oriente” e à posição da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra sobre o conflito.
Em causa está a reunião entre a Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra (SDDH/AAC) e o pelouro de política da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) de 25 de março, marcada por visões diferentes sobre a importância atual do tema e as ações tomadas pela direção. O encontro culminou no abandono da reunião pela secção, presidida por Rafael Pereira.
A SDDH/AAC considerou que a DG/AAC não tem um plano de ação concreto. José Machado, vice-presidente da DG/AAC, afirmou a pertinência do assunto, apresentou algumas propostas e manifestou a vontade da direção de discutir o problema. No entanto, o dirigente revelou que o tema do conflito no Médio Oriente não está incluído no caderno de propostas para as eleições legislativas.
O vice-presidente da DG/AAC justifica a ausência do tema nas propostas a apresentar aos partidos políticos com a “falta de interesse por parte dos partidos e outras instituições públicas”, como associações académicas. Rafael Pereira questiona a veracidade dessas declarações e afirma que há partidos e associações de estudantes preocupados com o que está a acontecer na Palestina.
Para a SDDH/AAC, a DG/AAC achou suficiente aprovar a moção em Assembleia Magna, e as propostas apresentadas por José Machado são “insuficientes” e “performativas”.
José Machado afirma que a AAC foi a associação mais empenhada em tomar uma posição. O assunto está aberto a discussão, a direção lançou propostas e considerou até fazer uma reunião conjunta entre a Câmara Municipal de Coimbra, a Universidade de Coimbra (UC) e a AAC, para se definirem ações.
Sobre a UC, a secção já criticou o envolvimento da instituição com “centros de investigação cúmplices do genocídio” e a falta de ação da DG/AAC sobre o caso. Segundo Rafael Pereira, a direção da academia garantiu “sem provas” que discutiu esse assunto em Conselho Geral.
O vice-presidente deixou bem claro a posição da DG/AAC: existem prioridades políticas e, apesar do conflito na Palestina ser um assunto importante, deixou de ser um tema de interesse aos partidos políticos e outras organizações. O foco está na revisão do Regimento Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) e na luta contra o descongelamento das propinas, no que José Machado chama de “estratégia de pragmatismo”.
No comunicado partilhado na sua página de Instagram, a SDDH/AAC afirmou “ser lamentável” que a Direção-Geral esteja “ausente do lado certo da história”. Para a secção, a influência da AAC na comunidade académica e na sociedade é vital à causa.
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