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“EU no musEU” promove inclusão de pessoas com demência através da arte
O Museu Nacional de Machado de Castro iniciou há 15 anos, o programa “EU no musEU”, dedicado à estimulação cognitiva, social e emocional de pessoas com demência e dos seus cuidadores.
O programa separa os participantes em dois grupos, enquanto as pessoas com necessidades neurológicas participam nas atividades acompanhadas por cuidadores formais, os cuidadores informais têm sessões próprias.
Virgilia Gomes, técnica superior do Museu Nacional de Machado de Castro desde 1993 é também coordenadora da acessibilidade e inclusão do Museu e do “EU no musEU”. Virgilia esclareceu o conceito do programa que inicialmente consistiu num projeto breve.
A separação dos grupos permitiu aos cuidadores ter um espaço próprio para partilhar experiências, aprender e criar relações com outras pessoas que vivem situações semelhantes.
O ambiente vivido na formação que decorreu entre os dias 6 e 8 de outubro no Museu Nacional Machado de Castro, foi desenhado para deixar cada participante confortável e disponível a partilhar a sua situação. De forma nua e crua os grupos observam obras de arte e interagem entre si para compreender o significado de cada uma. A linguagem foi dos principais conceitos debatidos, e a questão que permaneceu focou-se na comunicação ou muita vezes na falta dela.
As sessões contaram com profissionais de diversas áreas, como por exemplo a área de psicologia com a participação da docente Margarida Pedroso de Lima da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.
Para além de incentivar a partilha e socialização, o programa demonstra ter originado diversas relações entre as pessoas com demências, como o Alzheimer , os seus cuidadores e os familiares. Virgínia sublinha isso mesmo.
“EU no musEU” conta com a parceria de várias associações e instituições, tais como a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer (APFADA), o Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC).
Com o passar dos anos, o programa foi também alargado a outros espaços e instituições. Em Coimbra conta com a parceria do Museu da ciência da Universidade de Coimbra e com o Jardim Botânico. Em Viseu, foi replicada a ideia inicial no Museu da misericórdia e no museu Nacional do Grão Vasco.
Virgilia faz um balanço positivo de 2011 para o ano atual, no entanto compreende que ainda existem passos a dar para chegar ao objetivo desejado.
A iniciativa acompanha uma crescente aposta dos museus portugueses na inclusão de pessoas com demência. Em 2025, foi lançada uma rede de museus para a inclusão na demência, que conta atualmente com 15 instituições e associações.
A coordenadora deixa uma mensagem esperançosa de que o programa consiga alcançar mais pessoas com degeneração neurocognitiva, mais cuidadores e familiares, para que ninguém se sinta “num isolamento tal, culpa tal, que se auto-excluem socialmente e deixem de se sentir como cidadãos.”
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