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“A Janela Ainda Existe”: as Repúblicas de Coimbra entre a habitação, a memória e a vida comunitária
As Repúblicas de Coimbra são casas, mas também são lugares de memória e de vida comunitária. Uma nova exposição na Casa da Escrita, em Coimbra, reúne fotografias contemporâneas, imagens de arquivo e memórias de várias gerações de habitantes.
“A Janela Ainda Existe” parte de uma reflexão sobre o direito à habitação e procura mostrar o que significa viver numa República. Uma janela partida deu origem ao título da exposição.
Um habitante de uma República contou aos autores do projeto que uma das janelas estava partida, mas que, no quarto de cima, ainda havia outra. A frase ficou na memória. E acabou por se transformar numa metáfora para a possibilidade de continuar a existir uma vida comunitária e para a procura de alternativas no acesso à habitação, explica o fotógrafo Matteo Losurdo.
É a partir dessa ideia que o fotógrafo Losurdo e a curadora Marta Blanchietti se aproximaram das Repúblicas de Coimbra. Durante cerca de dois anos, acompanharam o quotidiano de várias casas, passaram períodos prolongados com os habitantes e reuniram fotografias de refeições, festas e momentos do dia a dia. A essas imagens juntaram-se fotografias antigas dos arquivos das próprias Repúblicas.
O objetivo não era fazer apenas um retrato documental. Era aproximar-se das casas e das pessoas que nelas vivem.
As Repúblicas aparecem também como espaços onde se experimentam formas diferentes de viver em conjunto. Em algumas casas, as decisões são tomadas por unanimidade. Nos Conselhos das Repúblicas, procura-se chegar a consensos através da discussão. Uma prática que, para Marta, revela a importância da comunicação na vida republicana.
Marta Blanchietti conta o que mais a surpreendeu na vida comunitária das Repúblicas.
Outra dimensão que a exposição procura mostrar é a memória inscrita nas próprias casas. Paredes com frases, objetos e marcas de diferentes gerações transformam as Repúblicas em arquivos vivos. É uma realidade que agora entra em diálogo com a Casa da Escrita, onde a exposição está patente.
Um espaço diferente, de paredes brancas e mais depuradas, mas também marcado por uma história de encontros, tertúlias e debates.
A exposição não quer ficar apenas pelas fotografias. Durante o período em que estiver patente estão previstos encontros sobre as Repúblicas, visitas a algumas das casas e, no último dia, 30 de outubro, uma conversa com académicos e habitantes.
A habitação estará no centro da discussão. Segundo os responsáveis pelo projeto, pelo menos três Repúblicas estarão em situação difícil e de possível despejo.
Até 30 de outubro “A Janela Ainda Existe” pode ser visitada na Casada Escrita, em Coimbra.
Fotografia: © Matteo Losurdo
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