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FLUC inaugura Ala Armando de Lacerda
Entre 1936 e 1979 funcionou na Universidade de Coimbra um dos mais avançados centros de fonética experimental do mundo. O Laboratório de Fonética Experimental de Coimbra, criado por Armando de Lacerda, desenvolveu investigação pioneira, criou instrumentos científicos e registou diferentes formas de falar em várias regiões de Portugal, nomeadamente no Algarve, no Baixo Alentejo e no Alto Alentejo.
Armando de Lacerda foi também responsável pela formação de várias gerações de estudantes portugueses e estrangeiros na área da fonética. Apesar da importância do seu trabalho, o seu legado acabou por perder visibilidade ao longo das décadas.
É essa memória que agora é recuperada pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). A instituição inaugurou, na passada quinta-feira, uma ala dedicada a Armando de Lacerda, onde está patente uma exposição sobre o Laboratório de Fonética Experimental de Coimbra.
A recuperação deste património resulta do projeto de investigação “PHONLAB”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). O projeto nasceu da curiosidade e do trabalho de investigação de Quintino Lopes, que coordenou uma equipa de treze investigadores ligados às Universidades de Évora, Coimbra, Porto, Estocolmo e Macau.
O objetivo passou por recuperar, classificar e tornar acessível um conjunto de materiais que permite conhecer melhor a história daquele que foi um dos laboratórios de fonética mais avançados da sua época.
Quintino Lopes explica que o projeto permitiu recuperar não apenas objetos, mas toda uma memória científica associada ao laboratório. O trabalho contou ainda com o apoio das reitorias das Universidades de Coimbra e de Évora.
Na cerimónia de inauguração, Albano Figueiredo, diretor da FLUC, destacou a importância de Armando de Lacerda enquanto académico e cientista, bem como a colaboração estabelecida entre diferentes universidades.
A exposição contou também com a colaboração do Atelier do Corvo, dos arquitetos Carlos Antunes e Désirée Pedro.
Francisco Almeida, jovem arquiteto que participou no trabalho desenvolvido pelo atelier, explica como foi preparar o seu primeiro projeto de design de uma exposição.
A cerimónia contou com a presença dos vice-reitores da Universidade de Coimbra, Delfim Leão e Alfredo Dias, em representação da reitoria.
Alfredo Dias, vice-reitor para a área do Património, sublinhou a importância de recuperar património científico que durante décadas permaneceu pouco conhecido e destacou também o legado deixado por Armando de Lacerda.
A família de Armando de Lacerda esteve também representada na inauguração. Paulo Lacerda, neto do investigador, falou à RUC sobre a importância de finalmente recuperar a memória do trabalho do avô.
O projeto contou ainda com o acompanhamento e apoio da FCT. Maria Paula Diogo, representante da instituição, destacou o trabalho colaborativo desenvolvido pelos investigadores das várias universidades envolvidas e o papel de Quintino Lopes na recuperação deste património.
A exposição dedicada ao Laboratório de Fonética Experimental de Coimbra está patente na ala dedicada a Armando de Lacerda, no segundo piso da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Mais do que recuperar objetos e documentos, o projeto pretende devolver à comunidade científica e ao público uma parte da história da investigação linguística e fonética realizada em Coimbra.
Fotografia: FLUC
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