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Academia de Coimbra reinventa-se na Serenata Monumental
Entre finalistas prestes a despedirem-se da cidade, famílias emocionadas e vozes femininas, a noite ficou marcada não apenas pela celebração dos que ficam mas também dos que partem da cidade e levam Coimbra no coração.
Vindos de diferentes escolas, os estudantes partilharam sentimentos de nostalgia, orgulho e a consciência de que esta poderá ser a última grande celebração enquanto estudantes de Coimbra.
Carina, estudante de Medicina, descreveu a noite como “um até já a Coimbra”, após seis anos decorridos na cidade. “Queremos viver isto com emoção, junto dos amigos, e sentir que fechamos este capítulo da melhor forma”, afirmou.
Também Inês, finalista de Ciências Farmacêuticas, sublinhou a importância simbólica da Serenata por ser uma tradição que passa de geração em geração.
Apesar das exigências dos estágios e da final dos cursos, muitos estudantes garantem presença nos principais momentos da Queima das Fitas e Imposição de Insígnias. “O dia de Farmácia é obrigatório” nas Noites do Parque, confessou Inês, entre risos.
Beatriz de Engenharia Biomédica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra contou à RUC as expetativas relativamente ao momento que ia viver.
Uma academia mais diversa
A partir do início da noite, tornou-se evidente a diversidade crescente da academia coimbrã presente nas escadas da Sé Velha. Se, em tempos, medicina dominava, hoje estudantes de Letras, Psicologia, Engenharia, Línguas Modernas e outras áreas ocupam também o mesmo espaço.
Catarina, estudante de Psicologia, considera essa mudança positiva.
Mulheres na Serenata: tradição e mudança
Um dos momentos-chave da noite foi a presença feminina na Serenata. Depois da estreia de vozes femininas na última Latada, este ano, pela primeira vez, mulheres fizeram-se ouvir na Serenata Monumental. As opiniões dividiram-se, mas a maioria dos estudantes mostrou-se favorável à mudança.
Úrsula, estudante da Faculdade de Letras, mostrou entusiasmo. “Os tempos evoluem e eu fico muito feliz de ver mulheres na Serenata”, disse.
Francisca, ligada à Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra, defendeu que a mudança aconteceu de forma natural e que cada vez mais a mulher conquista espaços, seja na cultura ou no meio associativo.
Já Miguel, estudante de mestrado em Direito, manifestou uma visão mais conservadora sobre o ritmo da mudança, embora sem rejeitar a presença feminina.
Ainda assim, a presença feminina acabou por ser um dos momentos mais emocionantes da noite.
O orgulho das famílias
Entre lágrimas discretas e telemóveis erguidos para captar cada instante, pais e mães acompanharam orgulhosamente as atuações. Constança Peixoto e Tânia Fonseca, fazem parte do grupo Honoris Causa que participou na Serenata Monumental.
Mónica, mãe de Constança, estudante de Matemática na Universidade de Coimbra, emocionou-se ao falar da filha.
Segundo a mãe, a estudante compõe os próprios temas e nunca foi impedida pela família de seguir simultaneamente o percurso académico e artístico. “A matemática e a música complementam-se perfeitamente”, garantiu.
Também Acácio Fonseca, pai de Tânia, estudante de Psicologia no Instituto Miguel Torga, destacou o orgulho em ver a filha participar ativamente na vida académica e no Fado de Coimbra.
Entre lágrimas e primeiras vezes
Para muitos estudantes, esta foi a última Serenata. Para outros, a primeira em que lhes foi colocada a capa nos ombros. Cândida, estudante do primeiro ano de Estudos Europeus, mostrou espetativa em relação ao momento que ia viver.
“Estou muito ansiosa para perceber como é esta experiência. Já conheci muitas pessoas e sinto que isto vai ficar para a vida.”
Também “Passou Mal”, alcunha académica da Estudantina, de um aluno de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, assistiu pela primeira vez à Serenata Monumental. Ambos os estudantes se mostraram divididos entre a emoção do momento e a adaptação à vida universitária.
A noite terminou com o sentimento comum de que Coimbra continua a ser um lugar único para viver a academia. Aqui constroem-se memórias e futuros que ficam para a vida inteira.
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