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“96 decibéis” fala de amor, resistência e liberdade. Estreia dia 27 de março na OMT

Teatrão e Terra Amarela juntaram-se para criar “96 decibéis”, um espetáculo que nasce do encontro entre linguagens, pessoas e experiências distintas, mas com objetivo comum de refletir sobre o presente e sobre a capacidade de resistir num mundo em constante transformação.

A coprodução resulta de uma relação que já vem sendo construída entre as duas estruturas, quer através do acolhimento de espetáculos, quer pela partilha de preocupações artísticas e sociais. O processo criativo iniciou há mais de um ano, com encontros entre equipas para discutir temas como liberdade, diversidade, democracia cultural e o papel do teatro na sociedade.

A partir dessas conversas, o projeto foi ganhando forma em torno da ideia central de reencontrar energia para amar e para agir num tempo marcado por conflitos, individualismo e incerteza.

“Talvez o amor seja dos sentimentos mais generosos e possa ser uma chave para alguma mudança”, afirma a atriz Margarida Sousa.

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“96 decibéis” destaca-se pela diversidade do elenco e das parcerias envolvidas. Para além das duas estruturas teatrais, o espetáculo integra a participação da banda Quinta Punkada e de várias associações, reunindo atores, músicos e intérpretes com diferentes percursos.

O processo criativo implicou sair da zona de conforto, experimentar novas linguagens e desafiar preconceitos. “Mais do que fazer uma peça, interessa perceber o que isto nos transforma”, refere o encenador Marco Paiva, sublinhando o caráter experimental do projeto.

As três estruturas –  Teatrão, Terra Amarela e Quinta Punkada – desafiaram-se a encontrar outros lugares para viver uma “revolução”, realça o encenador.

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O espetáculo constrói-se a partir do cenário simbólico de um mundo em ruína, quase pós-apocalíptico, onde importa perceber como resistir, emocional e coletivamente. A pergunta central atravessa toda a criação: como evitar a alienação e continuar a cuidar do outro, mesmo em tempos difíceis?

Gestos simples, como dizer “bom dia” ou manter o desejo de proximidade, surgem como formas de resistência. A peça propõe, assim, uma reflexão sobre o quotidiano e sobre a escolha entre desistir ou agir. Paulo menciona a oportunidade de cada um mostrar o talento que tem.

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Ao mesmo tempo, levanta questões políticas e sociais, nomeadamente sobre o crescimento de discursos extremistas e o papel da arte enquanto espaço de confronto e discussão. Para os criadores, o teatro deve ir além do entretenimento e recuperar a sua função original, ou seja, discutir a cidade, a comunidade e o futuro.

“96 decibéis” integra um projeto mais amplo de inclusão cultural, que inclui várias iniciativas paralelas: laboratórios de dramaturgia e música, oficinas com escolas e acompanhamento académico pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Margarida Sousa dá conta de algumas das ações que procuram reforçar o impacto do espetáculo e promover a acessibilidade, não apenas no palco, mas também na relação com os públicos.

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O espetáculo adapta um texto de Alex Cassal e inclui os actores Eva Tiago, Margarida Sousa, Paulo Azevedo (ator com deficiência física) e Vasco Seromenho (ator surdo). O cenário é da autoria de Fernando Ribeiro.

Entre os parceiros sob o chapéu do Projeto MAIS, financiado ao abrigo do programa “Centro 2030 – Inclusão pela Cultura” da CCDR Centro, estão a APCC, a ACAPO, o Agrupamento Escolar Coimbra Centro, o CES-UC, o Grupo de Trabalho Pessoas com Deficiência da Rede Social de Coimbra  do Município de Coimbra, a Omnichord e o Plano Nacional das Artes.

A peça estreia na Oficina Municipal do Teatro (OMT), dia 27 de março, Dia Mundial do Teatro, e estará em cena até 26 de abril, com sessões para o público em geral e também para escolas. Inclui legendagem e sessões com audiodescrição.

Pode ouvir a conversa do elenco e do encenador com a comunicação social no podcast do início do artigo.

Fotografia: Teatrão

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