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01.03.2026POR Rodrigo Oliveira

“Emissão Reconstruir”: Coimbra recebe Antena 1 para o rescaldo das tempestades e cheias

“Emissão Reconstruir” da Antena 1 levou a rádio publica às áreas mais afetadas pelo comboio de tempestades do último mês. Na ultima semana esteve em Alcácer do Sal, Leiria: ontem, das sete às dez da manhã, instalou-se no café Santa Cruz, em Coimbra. Vários convidados falaram sobre o antes, o durante e após Coimbra, enquanto que Joaquim Reis e Diana Craveiro circularam pela cidade a contactar com algumas pessoas afetadas.

 

A emissão foi conduzida por Eduarda Maia e José Carlos Trindade e arrancou com as intervenções de Carlos Luís Tavares e Paulo Palrrilha, comandantes do Comando Sub-Regional da Proteção Civil de Coimbra e dos Bombeiros Sapadores da Câmara Municipal de Coimbra, respetivamente. Carlos Tavares contou como foram os dias vividos em Coimbra e nas aldeias mais afetadas e sublinha a necessidade de prevenção.

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O comandante dos Bombeiros Sapadores alerta para os períodos de retorno (métrica que revela o intervalo médio de tempo entre eventos naturais com semelhante magnitude) cada vez menores, resultado das alterações climáticas. Paulo Palrrilha acredita que a experiência em Coimbra deve servir para deixar as forças de socorro mais alerta.

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João Grilo, presidente da Associação dos Agricultores do Vale do Mondego, aproveitou a intervenção para dar conta dos prejuízos. Grilo, que também é produtor de arroz e milho, revela que não só campos foram inundados, mas também as infraestruturas e equipamento de rega. O presidente ainda não conseguiu quantificar os estragos em valores e explica que, mesmo com apoios do Governo, os produtores vão de ter arcar com uma parte significativa das despesas.

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Fernando Seabra Santos, professor catedrático aposentado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, dá especial destaque para o recorde das recentes cheias: em 2001 durou seis dias; 2016 manteve-se por dois dias; em 2019 durou por um dia mais e a última ameaçou Coimbra por 18 dias. O investigador criticou a falta de manutenção do rio (desmatação dos leitos; remoção de areia do caudal) que afeta a fauna e flora. O professor afirmou também a necessidade de se construir a barragem de Girabolhos, uma discussão que ganhou destaque no período de cheias.

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Os presidentes da Câmara Municipal de Soure e de Montemor-o-Velho, respetivamente Rui Fernandes e José Veríssimo, relataram como as localidades lidaram com as várias tempestades e cheias. Os concelhos foram os mais afetados, em especial por inundações que obrigaram a população a se deslocarem de bote, e Rui Fernandes avalia os estragos em pelo menos dez milhões de euros. Ana Abrunhosa revelou que a reconstrução de Coimbra pode demorar anos e que a autarquia está a utilizar verbas destinadas a outros setores, enquanto espera apoio do Governo.

 

Emissão circulou a cidade

Em simultâneo com a emissão no café Santa Cruz, Joaquim Reis e Diana Craveiro falaram com vendedores do mercado municipal D.Pedro V (encerrado devido à derrocada da Cerca de Santo Agostinho) e com uma das várias produtoras de hortícolas afetadas pela tempestade Kristin e inundações. O presidente da Associação Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, esteve junto ao dique dos Casais para informar sobre a intervenção provisória e a reabertura da A1. A Antena 1 ainda visitou a RUC para perceber como foi articulada a informação no último mês.

O último bloco da emissão teve como convidados o presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), Carlos Condesso, e o presidente do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra. Da parte da APCC, Condesso revela que várias instalações ficaram afetadas pelos desastres naturais, com destaque para as cinco estufas e as plantações a céu aberto que garantiam a autossuficiência da associação. A reconstrução das estufas vai rondar os 50 mil euros.

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Luiz Santiago deu mais detalhes sobre o espetáculo solidário “É Preciso Acreditar”, a decorrer a 4 de março, às 21:30 no Grande Auditório do Convento de São Francisco. O objetivo, explica o diretor do coro, é angariar fundos para apoiar as populações afetadas e vai trazer artistas como os DAMA, Diogo Piçarra, João Farinha, André Sardet e outros. Os bilhetes já estão esgotados mas ainda é possível fazer donativos através do Ticketline.

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