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Precariedade leva investigadores da Universidade de Coimbra à Porta Férrea
Investigadores da Universidade de Coimbra fizeram-se ouvir durante a manhã junto ao largo da porta férrea. Exigem a abertura de concursos ao abrigo do Decreto-Lei nº 57/2016.
Dia 19 de fevereiro, às 11h30, dezenas de investigadores da Universidade de Coimbra realizaram uma concentração junto à Porta Férrea da Reitoria da Universidade de Coimbra. Em causa está a aplicação do Decreto-Lei n.º 57/2016, que regula a contratação de doutorados e visa estimular o emprego científico e tecnológico. De acordo com comunicado enviado às redações, acórdãos recentes do Supremo Tribunal Administrativo confirmam que as universidades estão legalmente obrigadas a abrir os concursos. Investigadores e sindicatos consideram que a obrigação continua a não ser cumprida em inúmeros casos.
Romeu Francisco, investigador da Universidade de Coimbra da área ambiental, conta que trabalha há cerca de 20 anos na Universidade e está numa situação precária. Explica que, além de desenvolver investigação, dá aulas e opera equipamento laboratorial, mas continua sem estabilidade contratual e com salários baixos. Ao microfone da RUC, manifesta tristeza, mas mantém esperança numa solução.
Em entrevista à RUC, os investigadores presentes na manifestação afirmaram ver “pouca vontade da parte da reitoria da UC” . Romeu Francisco assume que “a Universidade de Coimbra nao está interessada em resolver o problema”. A manifestação começou com um discurso de abertura de Miguel Viegas, membro do Secretariado Nacional e do Departamento do Ensino Superior e Investigação da FENPROF, e de seguida foi identificada a ordem de trabalhos.
Durante a ação foi entregue um requerimento à Reitoria e houve declarações públicas de investigadores em situação de precariedade. Steve Catarino, investigador da UC da Faculdade de Medicina, conta a sua experiência sobre a carreira como investigador.
O investigador sublinha que esta é uma questão de urgência jurídica, social e científica. Recorda que, na última reunião com o responsável, a 26 de fevereiro, houve abertura para reanalisar alguns casos. No entanto, até ao momento, não se verificaram mudanças concretas ,motivo que levou os investigadores a avançar com nova concentração e entrega de requerimentos. Steve Catarino, um dos investigadores presente na manifestação demonstra o seu desapontamento perante a situação vivida.
Além dos vários investigadores da Universidade de Coimbra presentes na manifestação, a Associação dos Bolseiros de Investigação Cientifica contou presença para apoiar a causa. Barbara Canijo, participante na ABIC, demonstrou solidariedade com a defesa da luta dos investigadores.
Com a concentração, os manifestantes esperam que a reitoria da UC valorize mais os investigadores. Os trabalhadores da ciência assumem que vão ter de lutar mais para obter os recursos esperados.
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