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Professores do Ensino Superior lançam manifesto “Por um Ensino Humanizado”
Grupo de professores do Ensino Superior lança manifesto sobre o impacto da Inteligência artificial generativa no processo ensino-aprendizagem. Professor da Universidade de Évora e Presidente da Associação Académica de Coimbra comentam o documento e a situação atual da questão.
Em meados de janeiro, a partir de um conjunto de cartas abertas e documentos críticos de referência sobre o uso da inteligência artificial generativa no Ensino, um grupo de 28 professores lançou o manifesto “Por um Ensino Superior Humanizado: Manifesto contra o uso da inteligência artificial generativa”.
Neste contexto, apresentaram-se dois grandes objetivos: um primeiro de promoção da humanização do ensino superior e um segundo de banimento do uso da “inteligência” artificial generativa (IA) nos processos de ensino-aprendizagem.
Ao microfone da RUC, André Carmo, professor auxiliar da Universidade de Évora, manifestou alguma satisfação e surpresa com o efeito deste documento na sociedade civil, que rapidamente acumulou dezenas de assinaturas de personalidades de muito prestígio na esfera pública.
O professor explicou ainda um pouco do atual processo de operacionalização das ferramentas de inteligência artificial e de tudo aquilo que está no background, reforçando a pouca presença de escrutínio democrático nas formas de funcionamento.
Embora reconheça o potencial destas ferramentas, nomeadamente na melhoria da qualidade de vida, através da rápida resolução de tarefas burocráticas, o docente apresentou uma das maiores preocupações face ao uso exacerbado destas tecnologias, especialmente no que diz respeito à fragilização de competências fundamentais para a comunicação académica.
André Carmo deixa alguns conselhos para os estudantes universitários, perante a situação atual, em que os estudantes adotam uma postura de “preguiça metacognitiva”, num ambiente de aprendizagem que, como referiu, se quer de humano para humano.
Ainda sobre o manifesto, José Machado, Presidente da Associação Académica de Coimbra, em entrevista à RUC, reconheceu o uso frequente destas ferramentas entre os estudantes, muitas vezes para tarefas comuns do dia a dia e realçou a importância de apostar na regulação, num contexto de Ensino Superior direcionado para a tecnologia e no qual o uso da IA generativa se torna generalizado.
Além de ter mostrado algum desagrado com a utilização da expressão “cretinos digitais” para apelidar esta nova geração, o dirigente estudantil deu conta da sua insatisfação no que toca àqueles que proliferam a ideia de que todos os estudantes são coniventes com a fraude académica, alertando para as várias dificuldades que os jovens têm enfrentado sem a utilização destas ferramentas.
No que concerne ao trabalho da Direção-Geral/AAC, José Machado reforçou o compromisso deste órgão com a Academia, através da criação de uma moção e de um manual de boas práticas, apontando para a importância de conciliar o melhor dos dois mundos.
Com pontos de convergência e divergência, fica a esperança de que a comunidade académica se una, através do diálogo, no sentido de dar respostas aos desafios levantados pelos avanços tecnológicos no Ensino Superior.
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