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Municípios do Baixo Mondego estão em estado de “vigilância absoluta” por causa da previsão de chuva intensa
O apelo principal é à prevenção, serenidade e preparação das populações, sobretudo nas zonas ribeirinhas mais vulneráveis.
Autoridades de Proteção Civil alertaram esta semana para um agravamento significativo do risco de cheias na Bacia do Mondego, na sequência das previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que apontam para precipitação intensa e persistente a partir de domingo e ao longo da próxima semana.
Em conferência de imprensa Carlos Luís Tavares, Comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra explicou que os caudais do Rio Mondego e dos seus afluentes deverão aumentar, exercendo maior pressão sobre as margens esquerda e direita, em particular nos concelhos de Coimbra, Montemor-o-Velho, Soure e Figueira da Foz.
Algumas zonas já se encontram a ser afetadas por cheias controladas, resultado da gestão preventiva das barragens, nomeadamente da Barragem da Aguieira, com o objetivo de criar capacidade de encaixe para os picos de precipitação previstos.
Zonas mais vulneráveis identificadas
No concelho de Coimbra, as autoridades identificam como áreas de maior risco o Cabouco, Docas, Parque Verde, Mosteiro de Santa-Clara-a-velha, Ribeira de Frades, Casais, Vila Pouca do Campo e outras zonas ribeirinhas a jusante do Açude-Ponte.
Em Soure, destacam-se Vila de Soure, Granja do Ulmeiro, Marachão, Casal de São Pedro e Figueiró do Campo.
No concelho de Montemor-o-Velho, as zonas mais sensíveis incluem Marujal, Caixeira, Vila Nova da Barca, Verride, bem como áreas entre o Mondego e o Rio Arunca. Já na Figueira da Foz, poderá haver impactos localizados, nomeadamente na zona de Lavos.
Prevenção para salvar vidas
As autoridades sublinham que “não existe risco zero”, apelando às populações que vivem em zonas inundáveis para que estejam permanentemente atentas aos avisos oficiais. Entre as recomendações estão a proteção de bens, a elevação de equipamentos e animais, o corte de eletricidade e gás caso a água entre nas habitações e, sobretudo, a prioridade absoluta à salvaguarda da própria vida.
Foi deixado um apelo firme para que a população não se desloque a zonas de risco para observar ou fotografar as cheias, alertando que estas atitudes colocam vidas em perigo e dificultam o trabalho das equipas de socorro.
Meios reforçados e vigilância permanente
Perante este cenário, a Comissão Distrital de Proteção Civil de Coimbra encontra-se em estado de prontidão máxima, em articulação permanente com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), autarquias e restantes agentes de proteção civil.
Foram mobilizados 24 fuzileiros e seis botes da Marinha Portuguesa, estando ainda disponíveis meios adicionais que vieram das regiões de Aveiro e Viseu, bem como 17 embarcações da região de Coimbra.
A partir de segunda-feira, será também utilizado um ‘drone’ de vigilância, disponibilizado pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, para monitorizar continuamente as margens do Mondego e avaliar o estado dos diques.
Apelo à tranquilidade e responsabilidade coletiva
A presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil, Helena Teodósio, apelou à serenidade das populações, destacando que a região ainda se encontra a recuperar dos efeitos da tempestade Kristin, com solos saturados e infraestruturas fragilizadas.
Apesar disso, garantiu que os planos de evacuação estão preparados e que, em caso de necessidade, as populações serão acolhidas em locais previamente definidos pelos serviços municipais.
Foi ainda deixada uma palavra de solidariedade para os agricultores, que já enfrentam perdas, sublinhando que este é o momento de prevenir e proteger, deixando para mais tarde a avaliação dos prejuízos.
“A forma como comunicamos salva vidas”, concluiu a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa. A autarca reforçou o pedido para que a informação seja transmitida sem alarmismo, mas com responsabilidade.
Marcaram também presença na conferência de imprensa Jorge Brito, secretário executivo da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Rui Fernandes, presidente da Câmara de Soure, José Veríssimo, presidente da Câmara de Montemor-o-Velho e Santana Lopes, presidente da Câmara da Figueira da Foz.
Técnica: Sofia Relvão
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