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“Iniciativa dos Comuns” promove reflexão sobre a esquerda na Oficina Municipal do Teatro
Grupo de reflexão política e social reúne pessoas de diferentes origens, académicos, sindicalistas e profissionais de diversas áreas, unidas pelo objetivo de pensar o que significa ser de esquerda em Portugal e no mundo contemporâneo.
A “Iniciativa dos Comuns” surgiu em Lisboa, mas tem chegado a outras cidades, nomeadamente Coimbra, onde recentemente tem ganho maior dinamismo.
Em entrevista, André Saramago, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), explica que o grupo pretende promover a reflexão crítica sobre a situação política atual, num contexto de “grande recuperação da direita e até mesmo da extrema-direita”.
A iniciativa é aberta a todos os que partilhem, ou simplesmente se interessem por, um pensamento à esquerda. Mais do que um movimento partidário, os Comuns procuram ser um espaço plural de debate e análise.
É neste espírito que surge o evento “Por uma nova cultura antifascista: trabalho, ecologia e paz”, que se realiza a 18 de outubro, na Oficina Municipal do Teatro, em Coimbra.
O encontro, que decorre entre as 17h e as 20h, propõe-se refletir sobre a ascensão das forças de extrema-direita e discutir o que significa construir uma cultura antifascista presentemente.
O debate será estruturado em três eixos: trabalho, ecologia e paz. André Saramago, explica a abordagem.
O primeiro eixo, o trabalho, pretende questionar como pode ser cultivada uma cultura antifascista nos locais de trabalho e no quotidiano laboral.
A dirigente sindical Vanda Pereira, uma das oradoras convidadas, trará para o debate a sua experiência no terreno, num momento em que “algumas forças da extrema-direita procuram apropriar-se de bandeiras históricas da esquerda”, como a defesa dos salários e dos direitos laborais, adianta o professor da FEUC.
No segundo eixo, a ecologia, o objetivo é abordar as tensões entre a defesa do emprego e a transição ambiental. Casos como o encerramento da refinaria de Matosinhos, que deixou alguns trabalhadores em situação difícil, ilustram o desafio de conciliar justiça social e sustentabilidade.
O Porto Canal em outubro de 20225 lembrava que “trabalhavam na refinaria 400 pessoas. Dessas, 100 foram dispensadas ainda em maio de 2021, através de um despedimento coletivo. Dos restantes, cerca de 40% chegaram a acordo e outros mudaram de funções dentro do grupo”. E adiantava que “a petrolífera justificou a decisão de encerramento da refinaria do Norte do país com o contexto europeu e mundial da refinação, com os desafios da sustentabilidade e com as características das instalações”.
André Saramago explica que a extrema-direita se apresenta muitas vezes como “antiecológica“ e aparentemente “pró-trabalho”.
Por fim, o eixo da paz alarga o debate ao plano internacional. Questões como as guerras na Ucrânia e na Palestina dividem e desafiam a coerência da esquerda, que, segundo o investigador, “precisa de uma reflexão aberta e crítica sobre os seus posicionamentos internacionais”.
O evento contará também com a apresentação do livro “Economia Política Antifascista”, de João Rodrigues, economista e professor universitário.
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