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UC e Emirado de Sharjah reforçam “pontes de conhecimento” com Biblioteca Joanina Digital e Centro de Estudos Árabes
A Universidade de Coimbra inaugurou a Biblioteca Joanina Digital, resultado da colaboração com a Sharjah Book Authority. O projeto permitirá disponibilizar online cerca de 30 mil volumes, além de 20 milhões de imagens.
A cerimónia contou com a presença do Sheikh Sultan bin Mohammed Al Qasimi, Doutor Honoris Causa pela universidade desde 2018. A visita realizada nesse ano deu origem ao financiamento do projeto de digitalização do acervo da Biblioteca Joanina, no valor de oito milhões de euros.
O Sheikh foi recebido na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) ao som de música tradicional de Sharjah.
A Joanina Digital vai muito além da simples transposição do papel para o digital. O projeto inclui restauro e conservação física dos exemplares mais frágeis, garantindo que o património esteja protegido para as gerações futuras, afirmou o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão.
Concluída a primeira etapa, a Coleção Digital do Médio Oriente – Sultan Bin Mohammad Al Qasimi reúne documentos históricos sobre a presença portuguesa no Golfo e na Península Arábica.
O portal UC Digitalis disponibiliza conteúdos com pesquisa avançada e funcionalidades de inteligência artificial, incluindo resumos automáticos e tradução em tempo real.
O manuscrito de Duarte Barbosa
Durante a cerimónia, foi apresentada a edição integral do manuscrito de Duarte Barbosa, Uma Viagem Memorável – O Manuscrito Completo (1516), editada e traduzida sob a direção do Sheikh Sultan bin Mohammed Al Qasimi.
Duarte Barbosa, oficial português do século XVI, registou detalhadamente culturas, religiões, economias e sociedades desde o Golfo até à China, oferecendo um relato preciso da presença portuguesa em África e na Ásia. A apresentação do livro esteve a cargo de José Pedro Paiva, docente da FLUC.
Entre os destaques do manuscrito está a primeira descrição europeia do sistema de castas da Índia, conceito que influenciou a Europa nos séculos seguintes.
Traduzido para português, árabe e inglês, o livro regressa à narrativa original e promove a compreensão histórica, permitindo que os povos se conheçam melhor e fomentando um mundo em que o conhecimento contribua para a paz, enalteceu o docente da FLUC.
FLUC inaugura Centro de Estudos Árabes
A ocasião marcou também a inauguração do Centro de Estudos Árabes da Faculdade de Letras, que introduzirá o ensino da língua árabe na Universidade já a partir de outubro.
Segundo o reitor, o centro servirá como espaço de diálogo intercultural, reunindo literatura, arte e ciência árabe, ao mesmo tempo que fortalece laços académicos com instituições do mundo árabe.
Cultura como ponte entre povos
Segundo Sheikh Sultan bin Mohammed Al Qasimi, iniciativas como a Joanina Digital e o Centro de Estudos Árabes demonstram que a cultura transforma fronteiras em pontes, aproximando povos e promovendo compreensão mútua.
“A cultura pode não mudar a geografia, mas muda a forma como a vemos. Não apaga fronteiras, mas cria pontos de encontro. Não muda a história, mas muda a maneira como a lemos”, afirmou.
Com estes projetos, a Universidade de Coimbra reforça o seu papel como espaço de encontro entre civilizações, onde o passado se projeta no futuro através do conhecimento, da preservação patrimonial e do diálogo intercultural.
Fotografia: FLUC
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