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“Se a propina dói, então o alojamento mata”, afirma presidente da Direção Geral da AAC
Associação Académica de Coimbra manifesta-se contra decisão do Governo de aumentar propinas no ano letivo de 2026/2027. O anúncio foi feito a 2 de setembro por Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação. Movimento estudantil mostra estar contra decisão e adianta estar disponível para diálogo construtivo.
Carlos Magalhães, presidente da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), em declarações à RUC, afirmou que a Associação Académica de Coimbra (AAC) discorda da decisão do Governo e mantém-se a favor de um ensino superior universal e gratuito. Mostrou preocupação com o aumento de 13 euros anuais no valor das propinas de licenciatura, que passam de 697 para 710 euros. Alertou ainda para a retirada do teto máximo das propinas de mestrado.
Como alternativa, Carlos Magalhães defende a alteração do plano de ação social, o que já não acontece há três décadas. Sublinhou também que o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) precisa de ser revisto.
Criticou ainda a execução do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES), projeto iniciado em 2018, que prometia 18 mil camas disponíveis para estudantes até 2026. Carlos Magalhães destacou que apenas 11% deste objetivo foi atingido. Assim, assegurou que os custos do ensino superior português, aliados à inflação no preço da habitação, impedem muitos estudantes de ter uma vida académica estável.
Ao microfone da RUC, recordou o estudo apresentado pela AAC a 18 de fevereiro sobre os custos do ensino superior. Os resultados mostram que Portugal está entre os países europeus com propinas nacionais mais elevadas. Assegurou que aumentar e descongelar o valor representa um retrocesso para o ensino superior português.
A 4 de setembro, o movimento estudantil, que reúne associações académicas de vários pontos do país, inclusive a AAC, emitiu uma declaração nas redes sociais. Na publicação mostraram estar contra a decisão do Governo e adiantaram que estão disponíveis para um diálogo construtivo com as entidades competentes.
Carolina Ferreira, membro da Associação de Estudantes da Universidade de Lisboa, prestou também declarações à RUC. A jovem concordou com a posição de Carlos Magalhães e acrescentou que o acréscimo de 13 euros anuais abre precedentes a futuros aumentos.
Em apresentação pública, a 5 de setembro, no largo D. Dinis, Carlos Magalhães reforçou a ideia e destacou que a elitização do ensino superior tem crescido.
O presidente da DG/AAC concluiu a entrevista a destacar o papel dos jovens no futuro do país. Assim, assegura que a voz dos alunos não deve ser menosprezada e garante que a academia vai continuar a reivindicar melhores condições para os estudantes.
A entrevista completa com Carlos Magalhães pode ser ouvida em formato ‘podcast’ no início do artigo.
Fotografia: Associação Académica de Coimbra
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