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05.08.2025POR Luís Pereira

Rocketmen termina em apoteose com Bad Nerves e MAQUINA a mandarem abaixo o Jardim da Sereia

Bad Nerves deram um espetáculo explosivo, cheio de momentos intensos. Já os MAQUINA fecharam o festival a obrigar o público a dançar com um concerto arrebatador.

ROCKETMEN – dia 3 – 2 de agosto

No final de uma tarde particularmente quente, Hassan K subiu ao palco e deu tudo o que tinha. Num registo mais experimental, combinou guitarra elétrica e um instrumento de sopro somados a alguma tecnologia. Sozinho em palco, apesar de atuar perante um público reduzido, entregou-se como se estivesse perante uma grande plateia, ao ponto de terminar o concerto com a camisa completamente encharcada de suor. Após o espetáculo, ficou entre o público a assistir ao concerto seguinte.

Logo a seguir, os australianos Dr Sure’s Unusual Practice subiram ao palco, num concerto marcado por fortes mensagens de apoio à Palestina, de longe, a banda mais vocal nesse aspeto em todo o festival. “There’s a genocide going on right now. Free Palestine.” e “If you don’t like it, we have to fight. We have to make some noise about it.” foram algumas das frases proferidas durante uma pausa na interpretação do tema Infinite Growth. As declarações foram tantas que o público acabou por alinhar, entoando em coro “Free, free Palestine”. O concerto incluiu também o seu tema mais conhecido, How Can Anybody Be Sober These Days?, recebido com entusiasmo pelos presentes. O vocalista Dougal Shaw ocupou o palco de forma intensa, comunicando com o público várias vezes e chamando quem estava mais afastado para junto do palco. O concerto decorreu em hora de muito calor, com o líder da banda a terminar a atuação em tronco nu. Uma boa banda, que se destacou sobretudo pela presença do seu vocalista.

Entrevista a Dougal Shaw de Dr Sure’s Unusual Practice antes do concerto no Rocketmen.

Ao cair da noite, foi a vez dos britânicos The Boys subirem ao palco, uma das bandas fortes na explosão do punk londrino dos anos 70. O concerto contou com um jogo de luzes particularmente intenso, que emprestou força e irreverência à performance da banda. Entre os temas apresentados, destacaram-se I Don’t Care e You Can’t Hurt a Memory, recebidos com entusiasmo por um público que mostrou conhecer bem o legado do grupo.

Entrevista a The Boys após o soundcheck.

Os Bad Nerves foram a penúltima banda a atuar e de imediato tomaram conta do palco e deixaram claro ao que vinham. Abriram com alguns dos seus temas mais conhecidos, como Baby Drummer e Palace. Toda a banda mostrou-se incansável em palco, com uma postura agressiva e presença constante na linha da frente. Saltavam, faziam poses diferentes enquanto tocavam e vinham frequentemente até perto do público. O movimento intenso era uma autêntica dor de cabeça para os técnicos que se viam obrigados a reposicionar constantemente os cabos que ligavam os músicos ao sistema de som. Entre músicas, o vocalista da banda Bobby Nerves foi sempre muito comunicativo com o público, arriscou algumas palavras em português, justificou dizendo que tinha namorada brasileira e, por isso, sabia uma coisa ou outra na língua de Camões. A meio do concerto, houve um momento em que se sentia no ar que algo especial ia acontecer, quase um minuto de imobilidade e silêncio, apenas com o baterista Samuel Thompson a marcar o ritmo batendo as baquetas uma na outra, até que a pausa foi quebrada por uma explosiva interpretação de You’ve Got the Nerve que mandou o Jardim da Sereia abaixo. Com um reportório que praticamente só tem grandes temas como Television e The Kids Will Never Have Their Say, e uma postura memorável em palco a banda garantiu o inevitável, um grande espetáculo. Bad Nerves, uma banda que tem tudo para se tornar um caso ainda mais sério no panorama musical mundial.

Os MAQUINA. abriram a sua atuação com o palco mergulhado num clarão pulsante, num jogo de luzes brancas intenso, como se cada batida fosse sublinhada por um relâmpago. Os brilhantes MAQUINA. trouxeram para Coimbra todo o seu som, tão poderoso, que parecia capaz de fazer as estátuas do Jardim da Sereia tremer e mantinha o público em constante movimento, sem conseguir ficar quieto. “Música para dançar”, disse o trio de de Lisboa, e o público correspondeu sem reservas, transformando o espaço numa pista ao ar livre. Provavelmente uma das bandas que a nossa rádio mais entrevistou nos últimos tempos, o que talvez tenha levado o vocalista Halisson, antes de encerrar o concerto, a deixar “um abraço para a RUC” e a afirmar “gostamos muito do pessoal da RUC”, dedicando mesmo o último tema da noite à nossa rádio. Não são só os MAQUINA. que gostam da RUC, a RUC também gosta muito dos MAQUINA. E gostou especialmente deste concerto, sem dúvida um espetáculo arrebatador, daqueles que parecem rebentar com tudo e tornam uma edição inesquecível, a encerrar o Rocketmen de 2025 com chave de ouro.

Entrevista aos MAQUINA. a poucas horas do concerto da banda.

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