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Conselho de Ministros aprova alterações do RJIES

O governo aprovou esta tarde, em Conselho de Ministros, o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES). “Universidades politécnicas”, alterações no Conselho Geral, foco no sistema binário, reformas de números e endogamia estiveram entre os assuntos aprovados durante esta quinta-feira.

Nas palavras do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o governo quer fazer uma reforma “profunda, muito intensa e estrutural” no Ensino Superior português. Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação, afirmou que as alterações vão promover a “autonomia”, a “capacidade” e a “qualidade das instituições”.

A RUC esteve à conversa com Diogo Correia, presidente da Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Politécnico (FNAEESP), para perceber a posição dos alunos face à alteração do documento. Uma das propostas do novo regime visa a alteração do termo “instituto politécnico” para “universidades politécnicas”. Diogo Correia acredita que a modificação do termo é um “elevador social” e traz oportunidades de investigação às instituições de ensino, por exemplo, em regiões do interior do país.

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Durante a reunião também foi discutida a representação dos diferentes membros no Conselho Geral, em termos de números percentuais. Pedro Monteiro, presidente da Federação Académica de Lisboa (FAL), defendeu a redução para menos de 50% da representação de docentes e investigadores, para que não haja uma “monopolização de decisões” no órgão. O responsável sublinha ainda que a grande preocupação do Ensino Superior são os estudantes, pelo que a percentagem dos alunos deve ter mais expressão. Na nova proposta aprovada, os professores e investigadores apresentam pelo menos 25% , o pessoal não-docente 10% e as personalidades externas continuam a representar pelo menos 30% do total.

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A eleição do reitor ou presidente dos estabelecimentos académicos também vai sofrer reformas. A decisão, que era tomada em Conselho Geral, vai agora ser feita de forma direta, ou seja, estendida a toda a comunidade estudantil, investigadores, docentes, não docentes e ex-alunos. Em relação à percentagem de estudantes deslocados com direito de voto, o presidente da FNAEESP argumentou que muitas das instituições do ensino superior “não têm uma relação estruturada” com estes alunos, o que pode impactar os resultados. Face a esta discussão, o Conselho de Ministros decidiu hoje diminuir a percentagem de valorização dos votos de 25% para 15%.

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O foco na autonomia e sistema binário, defendidos pelo ministro da Educação, levantaram questões para os estudantes dos politécnicos. Diogo Correia explica que o sistema binário proposto pelo governo vai “contra” o modo de formação das instituições. Segundo o presidente, as universidades prezam pelo ensino “teórico”, enquanto os politécnicos se focam no caráter “mais prático” dos cursos. Com a aprovação do formato evolutivo e autónomo, Diogo Correia teme que se perca a diversidade dos dois sistemas de ensino.

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Para combater a endogamia, outro dos pontos abordados na reunião, o Governo quer limitar a contratação de doutorados, pela instituição que lhes concedeu o grau nos três anos seguintes à sua obtenção. O estudante do Instituto Superior Técnico caracteriza a carreira académica em Portugal como “não atrativa”, comparando os  “baixos salários” com a maior parte dos países europeus. Na ótica de Pedro Monteiro, as circunstâncias tornam a contratação de docentes estrangeiros “praticamente impossível”. Ao microfone da RUC, o associativista, afirmou que a FAL apresentou, no final de 2023, uma proposta concreta de forma “bastante pertinente” para o mundo do associativismo estudantil, de modo a evitar estas situações.

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O Primeiro Ministro, Luís Montenegro, afirmou que com as medidas para o RJIES quer “dar às instituições de Ensino Superior mais condições para terem os seus processos de autonomia, de serviço a seu propósito formativo e terem maior previsibilidade”. Pedro Monteiro admitiu que existem muitas alterações positivas, mas considera haver ainda “muito por fazer” neste domínio, já que os resultados “não são suficientes”.

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As sugestões foram designadas de acordo com a auscultação, entre outros, ao Conselho Nacional de Educação, Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos e Federações Académicas e Associações de Estudantes.Recorde-se que as propostas aprovadas vão substituir o RJIES que estava em vigor desde 2007.

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