[object Object]

No rescaldo da noite eleitoral, Paulo Leitão mostra-se crítico da Direção Nacional do PSD

“É necessário que o PSD seja eficaz na passagem da mensagem de um caminho alternativo de prosperidade e de progresso, ser mais produtivos e distribuir estes rendimentos. “Ou então, por inação do Partido Social Democrata, estamos a condenar o país a uma letargia que tem caracterizado as sucessivas governações socialistas”, considera Paulo Leitão.

O líder da Comissão Política Distrital de Coimbra do PSD, Paulo Leitão, disse hoje que o partido teve, no distrito e comparativamente ao PS, um dos piores resultados de sempre em eleições legislativas, idêntico ao alcançado há 39 anos, em 1983.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Leitão responsabilizou o presidente do PSD, Rui Rio, pela derrota eleitoral de domingo e defendeu uma reflexão interna, alegando que a estratégia seguida tem levado o partido a ser “o primeiro dos últimos” em sucessivas eleições.

O líder da Comissão Política Distrital do PSD de Coimbra, não se conforma com os resultados obtidos pelo partido ontem, domingo. Após os bons resultados que o PSD teve nas últimas Eleições Autárquicas, “era perspetivável uma subida muito superior àquela que o PSD teve e até almejar ombrear com o Partido Socialista”, contudo, refere que “o que vimos foi o inverso”.

Entrevistado pela RUC, Paulo Leitão  defende que os resultados obtidos na última noite eleitoral resultam da opção estratégica da direção nacional do partido “de manter as estruturas que tinham tido bons resultados autárquicos afastadas da definição daquilo que seria a estratégia para estas eleições legislativas”.

Paulo Leitão é crítico da estratégia que foi seguida  que apelidou de “de guerrilha constante interna e de deixar um espaço vago à direita, que foi ocupado pela Iniciativa Liberal e o CHEGA. Com isto o PSD não conseguiu conquistar votos ao centro, ao contrário do Partido Socialista, que manteve a sua posição ao centro e conseguiu conquistar votos à sua esquerda, quer ao Bloco de Esquerda, quer à CDU.

Defende, em oposição, que o PSD é um partido de centro/ centro-direita e não pode olhar para este espetro político de uma forma segmentada.

A incapacidade e a negligência de procurar os votos à sua direita, são para Paulo Leitão as razões centrais para o desfecho eleitoral de maioria absoluta do PS, de um crescimento do partido CHEGA e da Iniciativa Liberal, partidos que, segundo o comentador, “estão bastante afastados da ideologia social-democrata”.

Crítico do fim dos debates quinzenais no Parlamento, que Rui Rio apoiou, e abordando o futuro, o entrevistado refere que, em primeiro lugar, “o PSD tem de deixar de desculpar os insucessos do Partido Socialista” e defende uma ação mais expressiva e combativa do PSD nna Assembleia da República.

O responsável socialdemocrata defende que o país não pode estar condenado a crescimentos anémicos que têm afastado Portugal dos outros parceiros Europeus dos Países de Leste. Para evitar isso, é necessário que o PSD seja eficaz na passagem da mensagem de um caminho alternativo de prosperidade e de progresso, ser mais produtivos e distribuir estes rendimentos.

“Ou então, por inação do Partido Social Democrata, estamos a condenar o país a uma letargia que tem caracterizado as sucessivas governações socialistas”

Por fim, o líder da Comissão política Distrital do PSD de Coimbra considera prematuro discutir a sucessão de Rui Rio, que vai depender da reunião dos órgãos nacionais do partido e só depois se pode falar de sucessão, mas sobretudo do projeto para o partido e para o país.

O PSD ficou, ao nível nacional, em segundo lugar, com 27,80% dos votos e 71 deputados, a que se somam mais cinco eleitos em coligações. Em Coimbra o PSD obteve 62.668 votos, o que representa 23.13% do eleitorado donde resultaram a eleição de 3 deputados, o mesmo número de 2019, mas com Barbosa de Melo a conseguir um lugar no Parlamento conjuntamente com Mónica Quintela e Fátima Ramos.

Texto: com Agência Lusa

Fotoografia: Rita Melo

PARTILHAR: