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Elísio Estanque aborda a carta “Votos por uma maioria plural de esquerda”

Comentador RUC, signatário da carta “Votos por uma maioria plural de esquerda”, defende a necessidade da adoção de posições mais abertas em todos os partidos de esquerda para criar consensos que assegurem um governo de esquerda alternativo ao Bloco Central e que impeçam o crescimento da extrema-direita no parlamento.

Na passada terça-feira, 4 de Janeiro de 2022, foi publicada no jornal Publico uma carta subscrita por cem personalidades, que apelam, num abaixo-assinado a “uma maioria plural de esquerda” nas próximas eleições legislativas, defendendo que “só essa pluralidade pode construir o diálogo” e que, sem ela, “a esquerda derrota-se”.

Elísio Estanque, um dos subscritores veio à Radio Universidade de Coimbra (RUC) falar-nos sobre os objetivos desta ação.

O entrevistado enquadrou esta carta na defesa da experiência positiva de recuperação dos vários cortes que tinham existido durante o período da Troika, que ocorreu nos dois últimos mandatos da chamada Geringonça e é um apelo à razoabilidade e a entendimentos à esquerda.

O abaixo-assinado, surge, também, para evitar uma solução de Bloco Central que, de acordo com o entrevistado, não é a melhor para a democracia e alternância do regime democrático. Elísio Estanque aponta algumas linhas gerais de um possível entendimento à esquerda que passam pela afirmação do Europeísmo e defesa do projeto da União Europeia e pelas reformas nas áreas laboral, ambiental e desigualdades bem como, contra a primazia dos mercados e da economia financeira.

Este abaixo-assinado, tem em conta, o risco da eminência de um crescimento preocupante da extrema-direita, como um alerta para a necessidade de adoção de “posições mais abertas” para criar consensos à esquerda com o Partido Socialista.

Elísio Estanque acredita que, apesar do início desta pré-campanha ter sido pautada, à esquerda por alguns ataques mútuos e posições de distanciamento, será possível entendimentos à esquerda. Tudo dependerá dos resultados das próximas eleições poder dar ou não uma maioria de esquerda no parlamento que permita a governabilidade. Para isso, será necessária “uma atitude mais ponderada e moderada nas negociações.

Por fim, o entrevistado refere que as soluções encontradas na esquerda portuguesa atual terão de assentar num principio pragmático que assegure a governabilidade do país, num quadro de sistema capitalista, porque, segundo o mesmo, “o sistema capitalista não vai mudar por decreto”.

E acentua que a grande prioridade da esquerda atual é a defesa das liberdades, defesa da democracia e a defesa do estado social. As reformas mais profundas dependerão da dinâmica e do protagonismo dos diferentes actores políticos, sejam partidos seja a própria sociedade civil.

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